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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Faísca", "Tarefa" e "Formatura"

Faísca

Relâmpago, cicatriz do céu.
De repente, iluminando uma existência
fútil e sem sentido.
De repente, tão importante.
Sentir falta do convívio
sem nunca ter convivido.

Nem alarmado, nem romântico.
Sentimental e sincero,
paixão repleta de ocultas dores.
Irresistível, porém,
só se sobrevive resistindo.
No maior dos sofrimentos,
continuar sorrindo.

E o desejo louco,
intuído pelo raio da tempestade,
lindo, louco e dolorido,
tanto mais aumenta quanto mais inibido.
Um irreprimível reprimido,
extenso então, sorrindo…

A tempestade agora já não tem relâmpago.
Tem apenas o âmago-coração do amor vivido.
Descoberto e curtido
o sentimento mais profundo
abre os braços e chora;
chora pedindo o mínimo momento do desejo contido.
Chora rezando pela alma do beijo perdido…

P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 20/12/1988]

Facho

Com este, fechamos a “trilogia” de textos escritos nalgum dezembro perdido (vejam os outros dois, abaixo), para ilustrar os sentimentos díspares - para não dizer antagônicos - que me acometem sempre nesta época do ano. E aproveitar o ensejo para desejar a todos um Feliz 2009, que traga em seu bojo as realizações mais profundas ansiadas por cada um de vocês. Grande abraço!

Adhemar, 31/12/2008.

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TAREFA

O dom da vida nos foi dado
para o nosso aprimoramento;
buscar mais ajudar e participar
do que se beneficiar e assistir.

Acomodar a cabeça nos próprios braços
ou nos braços da amada;
acomodar os pensamentos no positivismo, na bondade
estar apto a receber metas para cumprir e viver.

Viver então de fato,
saber-se capaz de resolver, de assumir,
de liderar, de compreender.

Olhar para o adiante,
o azul, o infinito e o saber.
Concluir, além de toda a possibilidade
e… Viver!

[Adhemar - São Paulo, 23/12/2007]

Arquivado em: Poesia I Comentários (0)

Formatura

Há uma foto entremeada num álbum. Especialmente essa foto traz recordações e lembranças que melhor ficariam se ignoradas. Não propriamente esquecidas: simplesmente ignoradas.

A foto mostra a mão serena, dedos queimados, segurando tranqüilamente uma folha de papel qualquer. Além disso, figura num dos dedos mais distantes da cicatriz no dorso, uma aliança dourada, de noivado. A gravata, o paletó e a camisa estabelecem uma elegância suspeita. Mas o rosto está tranqüilo, os olhos serenos e os cabelos emolduram esse rosto da maneira exata como deve ser. Porém, atrás dos olhos é que há um mistério, saudoso que ficou do antes daquele momento. E o estado de espírito presente nessa foto retrata um momento específico, muito particular e discreto; e as recordações que evoca referem-se a planos de vida e lindos sonhos que estão soterrados por uma avalanche de indiferença e indisposição.

O fruto criador, que do seu cerne dá a semente, está sêco. Mas como a semente “tem que morrer pra germinar”, vivemos por esperar e ver. Enquanto isso, fica o álbum fechado enquanto o rosto da foto mantém um indecifrável sorriso.

[Adhemar - São Paulo, 31/12/1987]

Retrato

Texto sobre uma foto do álbum da minha formatura da faculdade, ocorrida pouco mais de um ano antes. Essa época (final de ano) alterna o meu humor entre a alegria das festas, a melancolia do ficou pra trás e a expectativa otimista pelo futuro. A citação entre aspas é um verso de Gilberto Gil numa de suas mais lindas canções, chamada “Drão”.

Adhemar, 31/12/2008.

Arquivado em: Prosa I Comentários (0)

Um comentário:

Adh2bs disse...

Textos publicados no "Arquitetura & Poesia" original, em 31/12/2008. O comentário abaixo foi feito para "Faísca".

Comentário por TATIANA REZENDE — sexta-feira, 2 de janeiro de 2009 (09:46:52)
O que a gente precisa na vida é de um bom pára-raio…