Um suor cada vez mais amarelo.
Um som difícil de escutar.
Movimentos tolhidos.
Pouco alcance - o olhar.
Um odor penetrante,
impregnante.
Uma névoa turva.
Água densa, escura.
Uma linha reta -
cada vez mais curva.
Uma espinha ereta;
cada vez mais curva.
Um abandono,
complicado de largar.
Um lado plano,
vertente perpendicular.
Sinais fracos,
ruins de interpretar.
Sinos tão finos,
que não ousam badalar.
Um silêncio tão intenso
que quase dá pra escutar.
Um sonolento vento,
brisa preguiçosa sobre o mar.
Versos compridos ou curtos?
E as rimas,
não querendo se entregar...
Um sopro de vida
que não se deixa matar.
Um sereno tão sereno
que não molha a madrugada.
Apenas umedece o ar.
As palavras soltas,
fugitivas,
não se deixam mais prender.
A razão só queria compreender
esses sons atrapalhados,
tão difíceis de escutar.
Um apelo velado,
uma viagem pelo mar.
O coração, esse paspalho,
faz que não vai se comprometer
enterrado até o pescoço
nas mazelas em que foi se meter...
Um suor cada vez mais amarelo,
um abandono,
um apelo:
desse barco não dá mais pra descer...
[Adhemar - São Paulo, 12/01/2010]
"Os dias vão passando assim, com esses ‘ésses’; desfilam céleres, o sol nasce e se põe ensinando-nos a finitude cíclica das coisas, do inconsistente e do indócil."
"Vagam as nuvens confusas, chover onde? Tapam o sol como peneiras por onde os grãos do tempo se escolhem, se graduam. Vagam as palavras, comunicação cada vez mais difícil entre os seres, que até Deus pode estar achando de revisar a sua obra."
"Cacos do pensamento espatifado se espalham, esse é o novo rumo, a nova era… Na idade das razões desconhecidas, do esquecimento voluntário, das obrigações de autor inédito, todos os dias a reciclar seu lixo, suas entranhas e orações…"
"Sempre um faz por onde, um como, um quando! Sempre uma atitude, uma bandeira, um faz-de-conta; sempre uma tontura, um labirinto, um escabelo; sempre um trem lotado, descarrilhando…"
"E o tempo lava, seca e vai passando!"
[Adhemar - S. Paulo, 16/10/2003]









