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domingo, 29 de janeiro de 2012

HOJE

Hoje

"Hoje me deu uma estranha vontade de não parar… Não parar de escrever. Larguei o que estava fazendo, mergulhei nos pesamentos deixando sair o que bem estivesse passando no côco."

"Hoje me deu uma estranha vontade de abraçar o mundo. Passar a mão em sua cabeça, mitigar com carinho suas aflições e angústias. Bateu um estranho medo de perder a emoção e a capacidade de sentir as misérias e alegrias da vida e suas complicações. Compulsão ou histeria, num estranho desalento em razão do que podemos fazer. Será que só a nossa parte basta?"

"Hoje, me deu uma estranha vontade de peregrinar por aí. Aprender e entender como funcionam os mecanismos da criação, os por quês das desgraças, das alegrias, das frustações, do sucesso. Um inconformismo com o já vivido perante o que falta viver. Uma estranha fúria pelo desperdício, uma estranha alegria pelo pouco bem feito."

"Hoje me fiz uma estranha promessa, renovada, de não adiar mais nada."

Adhemar, 31/03/2008

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Cordas para se andar em cima

Nem sempre a alegria é engraçada
ou a tristeza é deprimente.
Assim como o repouso cansa,
não se pode fazer o bem impunemente.

E se a paz fosse tranquila...?
E se tremer fosse de frio ou medo...?
A gente se exporia disfarçado
divulgando amplamente o segredo.

Quando grande, agir feito criança.
Comportar-se e pensar como a pedra.
Escancarar o que está mais do que trancado
e libertar o carrasco que encarcera.

Deturpar o claro sentido que encerra
o verso encompridado num enleio.
É tão longo e perdido que flutua
como a lua ao luar, rima no meio.

Nem sempre o fogo alto queima,
ou some o que desaparece.
Às vezes a cara atrás da máscara é mais feia
e nem sempre o estar presente comparece.

Esta vida é um recanto proibido
em cujo entorno há uma cerca que convida.
E com vida pode significar que está morto
e "está solto" pode ser "estar contida".

Na poesia a concordância é discordante
e o sentido deve ser mesmo o oposto.
Como às vezes o perto está distante
a face oculta não se vê no rosto.

Nem sempre o que sobra é o resto,
nem o manifesto é a revolução.
Se a gente pode sonhar de olhos abertos
por que não devanear com pés no chão?

... E acaba a luz,
numa feroz escuridão...

[Adhemar - São Paulo, 31/10/2011]

domingo, 22 de janeiro de 2012

SEPULCROS

Fui andar no cemitério,
no silêncio entre os túmulos
para descobrir o que os mortos pensam
e para visitar meus pensamentos mortos.

Ante o lúgubre - 'inda que sossegado - ambiente,
mais houvera ideias a ressuscitar*;
entre elas os ideais de outrora,
insepultos, expostos a se putrefar**.

Nos caminhos, nas veredas, tantas lápides,
tantas inscrições de duvidoso teor;
pássaros negros a observar
e a esperar uns tantos vermes...

Lentamente a me retirar
a espera das lembranças que não vêm,
pensamentos, ideais e ideias a mofar
porque a memória, que me trai, morre também!

[Adhemar - São Paulo, 19/09 a 15/11/2009***]

Epitáfios

* Para minha surpresa, a palavra ressucitar (escrita assim no meu original) deve ser preferencialmente escrita ressuscitar, como aparece nos dicionários: no dicionário online de português, no Aurélio e no Michaelis; aliás nenhum dos três sequer admite a grafia sem o "s" central, encontrada apenas no dicionário inFormal... Diante da respeitabilidade dos demais, sanei essa minha ignorância que durava, já, uns 40 anos...

** Por sua vez, putrefar não existe mesmo. Encontrei referências de outros atrevidos que a utilizaram, houve um site onde a registrei com o significado de "apodrecer", "putrefazer", uma vez que é candidata a se tornar um vocábulo válido ou oficial - se é que pode dizer isso... Mas no verso onde aparece, não cabia outra, pelo menos no meu canhestro modo de entender.

*** Putz, demorei quase dois meses pra sair desse cemitério...!!!

Adhemar, 22/01/2012.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MARCO-17

O gênio da atenção, das percepções.
O fórum da justiça limpa.
Deus, tão presente em sua descrença.
A força crescente, destaque na multidão.

A permanente tensão da inteligência.
A gentileza nos gestos rudes.
A irreverência perspicaz e alegre.
A força crescente das opiniões.

Os pescoços virados, das meninas
(e seus comentários sorridentes).
Aos competentes trabalhos,
só falta apresentação.

Dominar o mundo aos dezessete anos
ainda é só opção...

P/ Marco Luiz (em 20/01/2012)
[Adhemar - Atibaia, 07/01/2012]

A ilustre figura, no estádio Centenário, Montevideo.


domingo, 15 de janeiro de 2012

CHATEAÇÃO

Mais um dia que fica para trás.
Horas de vida,
devidas ou não.
Aproveitadas?
Sei lá.
Tanto de nós por minuto
que tudo não pode mudar.
Mais um dia cheio de ausências,
preenchido de faltas,
falhas e gente.
Ruínas de planos,
planos indigentes.
Planos imutáveis e irrealizáveis.
Altos e baixos,
gordos e magros.
Mais um dia.
Mais um dia mal vivido,
incontido;
e que não acabou.

[Adhemar - São Paulo, 20 de agosto de 1987]

domingo, 8 de janeiro de 2012

ROLO

Esse negócio de almoçar todos os dias... Enfim...

Belo dia, encontramo-nos na "sobremesa", isto é, na fila de pagar a conta. Pois é, quanto tempo! E umas vagas reminiscências trocadas, desde os tempos de escola. Engraçado é que ninguém se lembrava das façanhas passadas, relatadas pelo outro! Essas coisas.

Uma semana depois encontramo-nos na entrada. Pô, que legal, mesma mesa, um fiscalizando o prato do outro na base da gozação. Outras tantas evocações de fatos que nenhum de nós dois recordava. Na hora da conta, briguinha: ambos fazendo questão!

Mais algum tempo passado, outro almoço - pré combinado, no entanto. Muita seriedade no papo, muita mentira deslavada e mal contada. Não é que dessas ele se lembrava?! E das patranhas que ele contava eu me "lembrava" também!!! Até que cobrei uma grana supostamente emprestada naqueles tempos imemoriais. Mas de tudo, o mais engraçado é que, desde então, a gente não se encontrou mais...

[Adhemar - Atibaia, 07/01/2012]