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domingo, 22 de janeiro de 2012

SEPULCROS

Fui andar no cemitério,
no silêncio entre os túmulos
para descobrir o que os mortos pensam
e para visitar meus pensamentos mortos.

Ante o lúgubre - 'inda que sossegado - ambiente,
mais houvera ideias a ressuscitar*;
entre elas os ideais de outrora,
insepultos, expostos a se putrefar**.

Nos caminhos, nas veredas, tantas lápides,
tantas inscrições de duvidoso teor;
pássaros negros a observar
e a esperar uns tantos vermes...

Lentamente a me retirar
a espera das lembranças que não vêm,
pensamentos, ideais e ideias a mofar
porque a memória, que me trai, morre também!

[Adhemar - São Paulo, 19/09 a 15/11/2009***]

Epitáfios

* Para minha surpresa, a palavra ressucitar (escrita assim no meu original) deve ser preferencialmente escrita ressuscitar, como aparece nos dicionários: no dicionário online de português, no Aurélio e no Michaelis; aliás nenhum dos três sequer admite a grafia sem o "s" central, encontrada apenas no dicionário inFormal... Diante da respeitabilidade dos demais, sanei essa minha ignorância que durava, já, uns 40 anos...

** Por sua vez, putrefar não existe mesmo. Encontrei referências de outros atrevidos que a utilizaram, houve um site onde a registrei com o significado de "apodrecer", "putrefazer", uma vez que é candidata a se tornar um vocábulo válido ou oficial - se é que pode dizer isso... Mas no verso onde aparece, não cabia outra, pelo menos no meu canhestro modo de entender.

*** Putz, demorei quase dois meses pra sair desse cemitério...!!!

Adhemar, 22/01/2012.

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