sábado, 11 de fevereiro de 2012

Fruta do Deserto

Se ela esquecer de mim
vou me mandar;
a gente não se entende tanto assim.
Vou-me embora antes dela me largar.

Ela não fala mais comigo,
nem o que pergunto ela responde.
Talvez o exílio seja assim feito um castigo
ou a gente nem faça por onde...

Eu queria mesmo era cantar
fazendo reverências e tocando.
Me preparo todo dia, entro no ar,
e saio a mil, o piano carregando.

Mas ela empaca, empata o tempo, assim não dá.
Os meus braços indecisos surpreendem:
ora se cruzam esperando ela falar,
ora se cansam desse nada e pendem.

Vou redigir uma nota,
num tom bem particular:
Agradeço, me despeço, calço a bota
e sigo em frente procurando outro lugar...

[Adhemar - São Paulo, 06/12/2011]

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