domingo, 25 de março de 2012

Quatro anos de "ARQUITETURA&POESIA"

Os cinco "posts" colocados abaixo foram os primeiros publicados em 2008 - entre 24 e 26 de março - quando começou o "Arquitetura & Poesia - Literatório". Originalmente publicado no "Terra", em janeiro do ano seguinte o "blog" ganhou a "estação repetidora" aqui no "blogspot". De junho de 2011 para cá, o espaço acabou (acho) e não consegui colocar mais nada por lá. A reapresentação de algumas coisas é simplesmente para salvar a memória do que ficou publicado só por lá (uma vez que não consegui salvar um "back-up"...). E pra finalizar, nunca havia publicado um projeto por aqui; então já vão logo dois!

Abraço,

Adhemar, 25/03/2012

OLÁ!

Meio de surpresa, meio de molecagem resolvi criar (?) este "blog", coisa que há muito tempo tinha vontade de fazer. Minha tagarelice extrapolou os limites das folhas dos meus cadernos, dos ouvidos dos meus circunstantes e dos limites do meu pensamento; a cabeça como um lugar pequeno demais (metáfora literal?) para contê-los; opiniões demais sobre assuntos demais; precisava de um fórum insuspeito para registrar poesias e outros escritos e testar a opinião alheia sobre o interesse que eles possam ter além do desabafo manifesto e subjetivo que eu acho que são. Não sei se isto vai durar; tentarei fazer que dure, cresça e se espalhe. Pretensões à parte, espero aprender a usar este recurso com a máxima interação possível. Portanto, não passem por aqui sem dizer nada. Deixem uma palavra, palavrão, crítica, xingo ou elogio. Prometo em breve anexar as poesias e outros textos, fotos de projetos e obras, embora eu desconfie que vamos descambar para a literatura - escrever - para mim, é mais do que uma ansiosa paixão. Um grande abraço aos aventureiros virtuais.
Adhemar, 24/03/2008.
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OLÁ! (2)

Não resisti e achei que devia deixar mais uma palavrinha neste novo espaço. Volúvel como o mar na ressaca estou imaginando por onde começar o incremento deste "blog"; o que oferecer ao curioso visitante que se deparar com isto. Pra começar, vamos parar com esta conversa fiada e anexar ao espaço algo para se ver. Procurem fotos e textos a partir de amanhã. Pronto. Gasto o espaço dizendo o que não precisava ser dito, pois vocês são inteligentes. Desculpem, grande abraço… (preciso aprender a lidar com isto, deixar a ansiedade mais calma! Quem sabe esta praia em Ilhéus-BA ajude.).
Adhemar, 24/03/2008

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VALEU!

Agradeço os comentários recebidos e informo que o espaço é democrático sim. Podem falar mal do São Paulo (quando eu mesmo não o fizer…), do PT, do autor, enfim, tudo o que der na telha. E "guenta" o tranco na volta! Uai! Como estou aprendendo a lidar com este negócio, estou tendo um pouco de dificuldade para anexar as poesias. Em compensação, as fotos estão uma beleza, segue mais uma, do projeto mais recente elaborado por este duas vezes filho de Deus.


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LUZES

"O exercício da criação é um constante olhar atento para o entorno, para o passado e para as vozes inaudíveis que continuamente nos murmuram direções e paisagens para observar. A inspiração é - na verdade -  os gritos que essas vozes dão, de vez em quando, conduzindo do cérebro às mãos o impulso criativo. Sob a luz meio baça do reflexo do sol sobre todas as coisas há um enorme manancial de idéias e ideais; tudo tão próximo da realidade que apenas um pequeno contigente de seres- todos artistas - consegue transformar o que vê e o que sente em atos de criação: obras de arte e de comunicação".
[Adhemar - S. Paulo, 27/05/2006]
Escuridão!
O texto acima foi produzido num instante de "sublime inspiração"; ‘olhar atento… vozes inaudíveis‘?! E esse ‘pequeno contingente de seres’? Não seremos todos um pouco artistas? Ave Maria…
Adhemar, 26/03/2008
Obra nossa (Costrutora Tramil):
Prédio com salão industrial e escritórios construído para uma multinacional italiana, em São Bernardo do Campo, entre novembro de 2006 e julho de 2007. O projeto já existia mas foi modificado por nós para completa adequação às necessidades do cliente contendo, inclusive, uma cozinha industrial.
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ALTIVEZ

Entre dores sucessivas,
o pecado da soberba.
Atitudes compulsivas,
grandes ganhos, grandes perdas.
Amplidão e resistência,
resolução e grande gesto.
Elocubração, ciência!
Um tratado, um manifesto.
Mas a atenção de fato,
só prestando bem de perto.
Algumas pedras no sapato
e a vida? Rumo incerto. 
Bem no peito, bem no fundo
vou vivendo uma certeza:
que não há força no mundo
pra vencer a natureza.
 Resistência a tanta dor,
tristeza e superação;
por não viver do amor
que guardo no coração.
[Adhemar - 26/10/2007]


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sábado, 24 de março de 2012

ENCOMENDA

São poucas palavras.
Quase sempre são a mais do que precisam dizer,
a menos do que deviam explicar.
As horas passam,
as rugas ficam;
são poucas palavras
mas se repetem.

São poucas palavras.
Exatas na sua misteriosa imprecisão.
às vezes esclarecem --
ou dizem tudo --
às vezes se escondem no significado ininteligível.
São poucas palavras
e submergem.

São poucas palavras.
Rimas raras, confusas.
Tão perto da salvação
e tão desgraçadas.
Em sílabas despedaçadas,
perdidas nas perspectivas das folhas...
São poucas palavras --
escondidas.

São poucas palavras,
rascantes de rouquidão.
Ou são gorjeios, são gritos,
bençãos ou maldição.
Podem salvar uma vida ou buscar tesouros perdidos.
São poucas palavras --
de luto.

São poucas palavras;
interditas, inéditas,
neologismos cheios de tesão.
Sussurros num sopro de lua,
tão nuas em sua verdade.
São poucas palavras
de amor e sedução.

São poucas palavras...
Alinhadas e elegantes ou disformes,
insinceras.
Surgiram ao acaso e se reuniram.
São poucas palavras --
em prosa --
disfarçadas de poética ficção.

[Adhemar - São Paulo, 29/12/2011]

domingo, 18 de março de 2012

PAÇOS

Um palácio pode conter um príncipe?
Um palácio pode deter o poder monárquico?
Um palácio pode fazer a família real se comportar?
Um palácio encerra segredos, extrema riqueza, mas não necessariamente expressa beleza, bom gosto ou alegria.
Um palácio pode exalar mistérios, pode abrigar ministérios mas não necessariamente poder.
Um palácio pode parecer suspeito e requerer explicações.

Um palácio deve conter o príncipe afobado.
Um palácio deve emanar o poder do rei com sobriedade e distinção.
Um palácio deve abrigar decência e liberdade, transmitindo aos seus reais moradores dignidade e alteza.
Um palácio deve permear seus mais recônditos segredos entre obras de arte e os poderes do estado.
Um palácio deve demonstrar sua elegante e refinada cultura expressa no seu conteúdo, objetos raros, no seu formato racional, objetivo e luxuoso, sem excessos e sem cafonice.
Um palácio deve ser sempre acolhedor.
Um palácio deve ser, sempre, a própria realeza; porque um palácio é mais que um castelo...

[Adhemar - Santo André, 13/09/2006]

Espaços

Esqueci de comentar a mudança da foto. A anterior foi tirada no aeroporto de Ilhéus, em janeiro de 2008, pelo meu filho Marco. A foto atual foi tirada por mim em janeiro de 2011, no museu Torres Garcia - em Montevideo - no foyer do teatro homônimo em homenagem ao artista plástico uruguaio, autor da escultura-painel em ferro batido que ilustra agora o blog.

Adhemar, 18/03/2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

RELÍQUIAS

A mentira elegante, a verdade envergonhada e o fato. Um desencontro anunciado, um cenário falso e indecoroso. A ordem do dia estampada para ser contrariada. O controle na entrada barrando os credenciados. A percepção da realidade refletida em sucessivos e sucessivos espelhos dispostos em ângulos agudos. O olhar aprisionado nesse labirinto imaginário. Nem os óculos na ponta do nariz sabem apontar pra onde ir. As nuvens coloridas e agitadas num delírio saudável despejando suas tempestades anunciadas em raios antissimétricos. Nem trovões nem ruídos tétricos; só uma música dodecafônica adormecida nos seus acordes disformes. O retumbante silêncio do eterno momento ecoando pelo espaço limitado do ambiente. Mesmo sendo o Universo. Uma viagem necessária trocada por outra imprescindível. Tudo torto na linha reta do horizonte. Retilínea feita um desvio, encurvada feito um atalho; e as palavras falham. E as palavras faltam, desaparecem no redemoinho escuro, no frio da ausência pressentida. Nada faz sentido quando tudo se encadeia. Na cadeia estão os elos da corrente, na corrente estão os olhos do peixe. A lança entorta mas encontra o seu alvo, então alguém será morto e alguém será salvo, pela morte alimentado. No infinito, um aumento. Um incremento para a falsidade das profundezas de um quadro. Em retirada, à beira do abismo, o caos se incendeia. Vela de procissão, chama queima a teia. Insetos em profusão, insetos em debandada no recorte da luz. A contraposição do céu com as estrelas do chão. O chamado do irmão, a voz da razão. O despertar do devaneio dentro do pesadelo. O peso das mãos sobre o travesseiro. No rugido do leão, o centro do mundo inteiro. A mentira envergonhada, a verdade errante e o fato.

[Adhemar - São Paulo, 13/01/2012]

sábado, 10 de março de 2012

TENTATIVAS

Os gritos são tão fortes que os vejo.
Olho o líquido que escorre e se acumula.
Água? Sangue? Sêmen?

Ouço um verso da canção de um filme:
paraíso errado.
Outros gritos.
Pedras faiscando,
olhos cintilando.

Caldo quente.
Entorno derramado.
Presença ausente,
trem atrasado...

Deserto.
Desterro atravessado.
Olho o vapor
que sobe escaldado.
Chuva que não vem,
paraíso desolado.

Os gritos são tão fracos que me cegam.
Deitado numa poça,
olhos bem fechados.
Veneno numa flecha,
arco encurvado.

Ouço um verso de uma praga,
paraíso abençoado.
Portas que se movem.
Mãos - que estão amarradas.

Portas que, se móveis...
Vão.
Passagens sugeridas,
embarques despudorados.
Poucas ferramentas,
caixas invadidas.
Modéstia e mobília,
mudança anunciada...

[Adhemar - São Paulo, 29/08 a 02/09/2011]

sábado, 3 de março de 2012

E...

Se disseres sim, creio que sobrevivo.
Se sentires sim, é como nascer de novo.
Se descobrires em ti um sim, será para a vida toda.
Se fores um sim, serei sempre assim como sou.

Se disseres não, não te esquecerei.
Se sentires não, já não acreditarei em mim.
Se fores um não,  não serei um sim.

Jogo de palavras, jogo de sentimentos.
Mas o que és para mim não se alterará,
sejas não ou sim.
Moras num lugar de onde não vais mais sair.
Mesmo que um nunca mais se instale entre nós.

Pedra inabalável,
cerne imutável.
Me marcou pra sempre;
sou porque tu és.

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 09/09/1987]