sábado, 24 de março de 2012

ENCOMENDA

São poucas palavras.
Quase sempre são a mais do que precisam dizer,
a menos do que deviam explicar.
As horas passam,
as rugas ficam;
são poucas palavras
mas se repetem.

São poucas palavras.
Exatas na sua misteriosa imprecisão.
às vezes esclarecem --
ou dizem tudo --
às vezes se escondem no significado ininteligível.
São poucas palavras
e submergem.

São poucas palavras.
Rimas raras, confusas.
Tão perto da salvação
e tão desgraçadas.
Em sílabas despedaçadas,
perdidas nas perspectivas das folhas...
São poucas palavras --
escondidas.

São poucas palavras,
rascantes de rouquidão.
Ou são gorjeios, são gritos,
bençãos ou maldição.
Podem salvar uma vida ou buscar tesouros perdidos.
São poucas palavras --
de luto.

São poucas palavras;
interditas, inéditas,
neologismos cheios de tesão.
Sussurros num sopro de lua,
tão nuas em sua verdade.
São poucas palavras
de amor e sedução.

São poucas palavras...
Alinhadas e elegantes ou disformes,
insinceras.
Surgiram ao acaso e se reuniram.
São poucas palavras --
em prosa --
disfarçadas de poética ficção.

[Adhemar - São Paulo, 29/12/2011]

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