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quinta-feira, 15 de março de 2012

RELÍQUIAS

A mentira elegante, a verdade envergonhada e o fato. Um desencontro anunciado, um cenário falso e indecoroso. A ordem do dia estampada para ser contrariada. O controle na entrada barrando os credenciados. A percepção da realidade refletida em sucessivos e sucessivos espelhos dispostos em ângulos agudos. O olhar aprisionado nesse labirinto imaginário. Nem os óculos na ponta do nariz sabem apontar pra onde ir. As nuvens coloridas e agitadas num delírio saudável despejando suas tempestades anunciadas em raios antissimétricos. Nem trovões nem ruídos tétricos; só uma música dodecafônica adormecida nos seus acordes disformes. O retumbante silêncio do eterno momento ecoando pelo espaço limitado do ambiente. Mesmo sendo o Universo. Uma viagem necessária trocada por outra imprescindível. Tudo torto na linha reta do horizonte. Retilínea feita um desvio, encurvada feito um atalho; e as palavras falham. E as palavras faltam, desaparecem no redemoinho escuro, no frio da ausência pressentida. Nada faz sentido quando tudo se encadeia. Na cadeia estão os elos da corrente, na corrente estão os olhos do peixe. A lança entorta mas encontra o seu alvo, então alguém será morto e alguém será salvo, pela morte alimentado. No infinito, um aumento. Um incremento para a falsidade das profundezas de um quadro. Em retirada, à beira do abismo, o caos se incendeia. Vela de procissão, chama queima a teia. Insetos em profusão, insetos em debandada no recorte da luz. A contraposição do céu com as estrelas do chão. O chamado do irmão, a voz da razão. O despertar do devaneio dentro do pesadelo. O peso das mãos sobre o travesseiro. No rugido do leão, o centro do mundo inteiro. A mentira envergonhada, a verdade errante e o fato.

[Adhemar - São Paulo, 13/01/2012]

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