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sábado, 10 de março de 2012

TENTATIVAS

Os gritos são tão fortes que os vejo.
Olho o líquido que escorre e se acumula.
Água? Sangue? Sêmen?

Ouço um verso da canção de um filme:
paraíso errado.
Outros gritos.
Pedras faiscando,
olhos cintilando.

Caldo quente.
Entorno derramado.
Presença ausente,
trem atrasado...

Deserto.
Desterro atravessado.
Olho o vapor
que sobe escaldado.
Chuva que não vem,
paraíso desolado.

Os gritos são tão fracos que me cegam.
Deitado numa poça,
olhos bem fechados.
Veneno numa flecha,
arco encurvado.

Ouço um verso de uma praga,
paraíso abençoado.
Portas que se movem.
Mãos - que estão amarradas.

Portas que, se móveis...
Vão.
Passagens sugeridas,
embarques despudorados.
Poucas ferramentas,
caixas invadidas.
Modéstia e mobília,
mudança anunciada...

[Adhemar - São Paulo, 29/08 a 02/09/2011]

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