sábado, 21 de abril de 2012

VÁCUO

Salto no espaço, no escuro.
Salto sem rede. Sem rede?
Um salto rumo ao futuro,
um salto na fome, na sede.

A conquista de um novo espaço, ou luz.
Girando os braços em torno da liberdade;
ou esperando, os braços em cruz,
a conquista da realidade...

Primeiro momento, compasso de espera;
primeiro instante, como um alimento,
energizando, inspirando na esfera
preâmbulo do acontecimento.

E na posição clara do objeto,
do fato sem esmorecimento
é que ficam os anjos mais perto
de amores e de sentimento...

[Adhemar - São Paulo, 12/08/2009]

Descompressão

Não gosto deste texto, mas agora veio parar aqui... Parece um rascunho incompleto, sei lá. Sinto muito.

Adhemar, 21/04/2012

sábado, 14 de abril de 2012

"IMPROVAZIO"

Contemplo meu próprio sangue
escorrido sei lá de que veias;
sei lá derramado por quê,
sei lá...

Encaro meu próprio passado
embaçado na turva memória
no meio de tanto vermelho,
em curva...

São tantos castelos de cartas,
planos derrubados num sopro;
navios afundados no porto,
sonhos afogados...

Fechados os olhos, um sono,
tormentas inúteis, vazias.
Falsos dilemas pros outros,
falsos problemas...

Ausência de resultados,
de ações práticas, de eficiência;
mas sem arrependimentos:
só malditas reticências...

[Adhemar - São Paulo, 22/09/2010]

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Destino

(Pubicado no blog original em 09/04/2008)
"É tudo fingimento. O velho clichê da vida passada num cenário onde se filma uma história cujo tema é representar uma peça; o tema da peça? A representação de uma peça!"
"Olhe-se num espelho com outro atrás de si. A vista se perderá numa perspectiva infinita, sua mesma cara se repetindo na profundeza dessa parede. Como um poço, onde seu olhar vaga fascinado e… aprisionado!"
"Olhando no ponto de fuga desses infinitos espelhos é que faz sentido a idéia do universo paralelo, cuja porta deve estar no vértice de todos os caleidoscópios. É possível, talvez provável, que muitos já tenham alcançado e ultrapassado o limiar desse umbral. Gênios, simplórios ou malucos seriam os mais indicados. Os sonhadores? Esses correm por fora. Os poetas? Esses, só podem ser enquadrados em alguma das categorias anteriores."
"E o diretor, batendo claquete: - Ação!"
[Adhemar - S.Paulo, 31/07/2004]
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DIA

(Publicado no blog original em 09/04/2008)

"Senhor."
"Nesta singela prece de agradecimento, louvamos este dia de sol, de céu azul e da beleza dinâmica da criação."
"Nesta singela prece agradecemos inclusive o que não temos, o movimento e o espaço. Agradecemos por ter o coração. Agradecemos todas as pequenas dádivas, desde podermos apreciar o vôo de um pássaro até um simples aperto de mão."
"Além dos agradecimentos, esta prece é para invocar o Teu perdão: pelas nossas omissões inconscientes, nossa mesquinharia e nosso egoísmo glutão."
"Senhor."
"Esta prece é também uma promessa de retribuição, de apararmos as arestas e diminuir nossa intolerância; de sermos mais solidários, mais participativos e fraternos, refratários à solidão."
"Senhor."
"Nossa sincera intenção é sermos dignos de Ti, do Teu amor e compreensão. De atuarmos efetivamente como agentes amplificadores e multiplicadores da tua criação."
"E invocamos tuas bençãos nessa singela oração. Amém."
[Adhemar - S. Caetano do Sul, 14/06/2005]
Que dia!
Dia muito bonito, estava andando pela cidade de SCS quando me lembrei de agradecer pelo privilégio de estar vivo e são, com trabalho e conseguindo resolver os problemas que, na maioria das vezes, a gente mesmo cria. Mesmo quem não acredita nessa entidade superior deve agradecer à Natureza, ou ao Universo, esse dom maravilhoso chamado vida. E quando ela tá fácil e gostosa, como a minha, deve agradecer mais ainda!
Adhemar, 09/04/2008.
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Esportes Radicais


(Publicado em 09/04/2008, no blog original)

"Um respeitável senhor com mais de quarenta anos, com muitos cabelos brancos, algumas boas histórias. Profundos sonhos. Um repertório razoável adquirido por vários critérios distintos: hereditários, exemplos e vivência atenta. Metas objetivas. Senso de oportunidade, alvo construído no andamento da música ambiente; ou pianista ou cantor, uma metáfora e uma morena. Herança final. Uma serena indiferença marcada nas linhas da poesia indecifrável de uma vida."
[Adhemar - S. Paulo, 23/03/2008]
Falando em esportes radicais…
Três obras do artista, as melhores, feitas em colaboração com uma grande arquiteta, decoradora e mãe, manhê, mãezinha.
Ser pai: isso sim é que é um esporte radical!
Adhemar - 09/04/2008
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domingo, 8 de abril de 2012

ULTIMATO

Vamos começar no cinza,
na sua elegância cromática.
Vamos clarear o cinza
como a nuvem que se desfaz em chuva.
Vamos mudar de língua,
cinzenta flexão do idioma.
Vamos entrar em coma...

Vamos cozinhar a massa cinzenta
no seu pulsar acrobático.
Vamos usar a cinza panela rabugenta
e um fraque aristocrático.
Vamos cinzelar a pedra
com toda a musculatura;
a pedra cinza
que vamos transformar em escultura
esquecendo as faíscas.

Vamos sentir nas brasas dores físicas
até que as cinzas possam dissipar.
Vamos embranquecer o cinza claro,
escurecer o preto
que é o cinza sublimado.
Vamos respirar poeira cinza
e ferver as cinzas da fogueira.

Vamos pintar de tudo cinza,
meio sem pensar;
e ver no que dá,
se alguma cor ousar ainda...

[Adhemar - São Paulo, 09/03/2012]

sábado, 7 de abril de 2012

40 GRAUS

Qual fosse a música...


Quanto tempo se passou
- verso de música - 
sem que a emoção na razão se registrasse?
Qual uma rua na Alemanha,
"Deutschstrasse"...


Quanto tempo eu delirava
entre mil febres a transferir uns sentimentos?
Qual viajante, andarilho, peregrino
que precisa ajoelhar alguns momentos...


Quanto tempo...
Bem a tempo...


[Adhemar - Santo André, 11/12/2008]

Quentura

Separadas 21 anos no tempo, "Cremação" (postada ontem) e "40 graus" se comunicam. Mistérios do subconsciente e do acaso, que me fez topar com elas na sequência. Aproveito a ocasião para manifestar votos de Feliz Páscoa a todos; católicos ou não, que as lições de Cristo de amor e solidariedade estejam no coração de todos.

Adhemar, 07 de abril de 2012.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

CREMAÇÃO

No fundo de cada coração
há uma verdade passageira.
A primeira foi um grande prazer,
cuja saudade morreu.
Terminou com grande dor.
Terminou.
A verdade de cada coração pode mudar.
Antes que se pudesse esperar, mudou.
Mudou!
A segunda tem sido uma infinita dor.
Infinita dor.
Mas, o prazer do amor
sempre afagando e consolando...
O coração precisa aprender a viver.
Chorar de dor ou de prazer
sempre é chorar.
Daí entra a razão pra ensinar.
Ensinar o coração a esperar.
Esperar que o tempo passe e revele
o desfecho definitivo,
ou melhor, mais verdadeiro.
O coração precisa resistir ao tempo de espera
e ao resultado, que pode ser negativo.
A razão da vida está na descoberta.
Descoberta dos sentimentos
que habitam o nosso coração;
e de que a razão e o coração atuem juntos
no sentido de tornarem-se dignos.
Dignos e merecedores da confiança da imagem viva
que é motivo de seus sentimentos.
Nesse encantamento,
a saudade nasce no peito onde mora o coração.
Todo o sentimento vai crescendo com o tempo,
toma conta do espaço-peito.
A razão enlouquece,
tão amena que era,
ao coração tentou ensinar a espera...
Olha-se no espelho,
descabelada, olhos vermelhos,
procurando consolar-se...
E, de joelhos,
encomenda a Deus uma prece.
Aí roga por si,
pelos seus sentimentos mais puros que envolvem o coração.
E em seu pedido oferece
o amor em sacrifício num altar.
Diante do seu sofrimento,
dá a mão ao coração.
Razão e Coração saem caminhando lentamente;
atrás de si vão deixando
o amor na pira do altar,
incinerando...

[Adhemar - São Paulo, 13/09/1987]