sexta-feira, 6 de abril de 2012

CREMAÇÃO

No fundo de cada coração
há uma verdade passageira.
A primeira foi um grande prazer,
cuja saudade morreu.
Terminou com grande dor.
Terminou.
A verdade de cada coração pode mudar.
Antes que se pudesse esperar, mudou.
Mudou!
A segunda tem sido uma infinita dor.
Infinita dor.
Mas, o prazer do amor
sempre afagando e consolando...
O coração precisa aprender a viver.
Chorar de dor ou de prazer
sempre é chorar.
Daí entra a razão pra ensinar.
Ensinar o coração a esperar.
Esperar que o tempo passe e revele
o desfecho definitivo,
ou melhor, mais verdadeiro.
O coração precisa resistir ao tempo de espera
e ao resultado, que pode ser negativo.
A razão da vida está na descoberta.
Descoberta dos sentimentos
que habitam o nosso coração;
e de que a razão e o coração atuem juntos
no sentido de tornarem-se dignos.
Dignos e merecedores da confiança da imagem viva
que é motivo de seus sentimentos.
Nesse encantamento,
a saudade nasce no peito onde mora o coração.
Todo o sentimento vai crescendo com o tempo,
toma conta do espaço-peito.
A razão enlouquece,
tão amena que era,
ao coração tentou ensinar a espera...
Olha-se no espelho,
descabelada, olhos vermelhos,
procurando consolar-se...
E, de joelhos,
encomenda a Deus uma prece.
Aí roga por si,
pelos seus sentimentos mais puros que envolvem o coração.
E em seu pedido oferece
o amor em sacrifício num altar.
Diante do seu sofrimento,
dá a mão ao coração.
Razão e Coração saem caminhando lentamente;
atrás de si vão deixando
o amor na pira do altar,
incinerando...

[Adhemar - São Paulo, 13/09/1987]

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