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domingo, 8 de abril de 2012

ULTIMATO

Vamos começar no cinza,
na sua elegância cromática.
Vamos clarear o cinza
como a nuvem que se desfaz em chuva.
Vamos mudar de língua,
cinzenta flexão do idioma.
Vamos entrar em coma...

Vamos cozinhar a massa cinzenta
no seu pulsar acrobático.
Vamos usar a cinza panela rabugenta
e um fraque aristocrático.
Vamos cinzelar a pedra
com toda a musculatura;
a pedra cinza
que vamos transformar em escultura
esquecendo as faíscas.

Vamos sentir nas brasas dores físicas
até que as cinzas possam dissipar.
Vamos embranquecer o cinza claro,
escurecer o preto
que é o cinza sublimado.
Vamos respirar poeira cinza
e ferver as cinzas da fogueira.

Vamos pintar de tudo cinza,
meio sem pensar;
e ver no que dá,
se alguma cor ousar ainda...

[Adhemar - São Paulo, 09/03/2012]

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