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domingo, 27 de maio de 2012

PREPARE-SE

Descanse.
A mente cansada não pensa;
sua ação perde o alcance.
Meta que se dispensa,
clarividência ofuscante.

Relaxe.
A mente cansada não pensa;
se perde na sintaxe
da ação mais intensa,
até onde sabe.

Desencane.
A mente preocupada não pensa;
se perde, entra em pane.
A meta já não compensa;
não se engane.

Recomece.
A mente preparada só pensa;
decide o desenlace
da ação, da meta mais densa
e não há o que se compare...

[Adhemar - São Paulo, 06/11/2010]

sábado, 26 de maio de 2012

FUTURO

"O que vai ser um talvez… Refletir, pensar, concluir; a parte fácil da coisa. no entanto, a decisão pesa. Implica novos riscos, outros desafios, andar noutra direção. Tudo tão parecido e tão novo, tão diferente! Até as letras intermitentes, o mesmo papel de sempre. Até as falhas da caneta, no rascunho."

"Uma guinada, um desvio de rota. Um novo caminho para ir ao mesmo lugar; lugar concebido num antigamente de antes de nascerem as atuais certezas, ideais e projetos. Que se enrolaram e confundiram após tantas voltas. E trouxeram o desejo de recomeçar saindo de um novo ponto de partida, após um duro aprendizado de muitas humilhações e poucas satisfações. De gatos andando nos telhados; de gotas pingando dos beirais; de ondas num mar revôlto; de calmarias, de temporais. De rimas perdidas sem poesias, de tempo perdido em dias e dias. E, de novo, o marco zero. Com repertório variado; visão mais ampla da própria miséria."

"E tudo acabar ou começar num talvez…"

[Adhemar - S. Paulo, 03/11/2003]

Este texto foi escrito num momento peculiar de 2003, que foi um ano particularmente difícil. Pode-se considerar como os primeiros raios de luz que um soterrado consegue enxergar quando começa a sair de baixo dos escombros da avalanche.

Adhemar, 27/03/2008




Projeto de um prédio industrial e escritórios, feito entre o final de 2003 e meados de 2004. A obra (pela Construtora Tramil) foi executada de set/2004 até fev/2005, no bairro Cooperativa, em São Bernardo do Campo. Ficou linda, adicionaremos fotos da obra pronta.


Arquivado em: Arquitetura, Prosa I Comentários (1)

sábado, 19 de maio de 2012

OBRA MUDA

Estático no instante angustiado:
parado no momento importante,
Estatelado na parada angustiante,
poucas palavras dizem só a mesma coisa.

Falta coragem? Falta motivo? Falta vontade?
Falta visão mais clara do futuro, do distante.
Falta uma atitude diferente, mais pra frente,
falta um gesto ou um grito contundente,
falta sair do buraco limitante.
E agora? E o depois? E o adiante?

É só mexer os pés, as mãos e a cabeça;
determinar a direção em qualquer rumo,
não se afobar, manter o prumo
e a clareza surgirá, por incrível que pareça.

Lugar comum? Imaginação? Delírio?
Apenas a realidade de viver conforme a música.

[Adhemar - Santo André, 11/12/2008]

domingo, 13 de maio de 2012

PRECAUÇÃO



No amor, como na vida, me acautelo
pois, ainda que doido, eu me preservo.
Pelo que o amor tem de louco e tem de belo,
pelo que tem de escravo e de servo.
Na paixão, como no amor, eu me seguro
pois é um desassombrado desagravo.
Pelo que o amor tem de guerreiro e de puro,
pelo que tem de indócil e de bravo.
Na paixão, como na vida, eu observo
um pulsar aflito e constante;
no angustioso desenlace eu me enervo,
é a paixão o amor num só instante.
De todo este sentimento eu me defendo
e sigo minha trilha sempre em frente.
De amor e de paixão o que eu entendo
é que sei que vou te amar eternamente.
[Adhemar, para S.M. - Sto. André, 10/05/2007]
Precavido…
Escrito exatamente um ano atrás, para a aniversariante do dia seguinte. Colocado hoje aqui pra ela, pois amanhã, além de seu aniversário, é dia das mães! Com a minha agilidade sensacional, o deste ano a gente leva a conhecimento público (inclusive da interessada) em… 2009!!!
Em tempo: nossa mais sincera homenagem às mães, essa entidade tão presente e fundamental na nossa vida; pra quem a gente, mesmo depois de burro velho, ainda é "minha criança", "meu menino", "meu filhinho" e assim por diante… À minha, D. Noemí, um abraço muito especial. Ela sabe que não preciso dizer mais nada além disso, nossa grande amizade, enorme cumplicidade e silencioso entrosamento transcendem essa relação materno-filial. Estas palavras foram acrescentadas aqui só por… precaução!
Adhemar, 10/05/2008.
Arquivado em: Poesia I Comentários (1)


Prevenção

Então, de novo, a mesma história se repete em 2012. Escrevi para aniversariante na véspera do aniversário, dia 10, fizemos o cartão e o entregamos no dia certo, dia 11, e quem sabe em 2013 aparece aqui! Feliz dia das mães a todos, vamos homenageá-las respeitando-as o ano todo e relembrando com saudade as que por acaso ou destino estiverem ausentes.
A gente devia falar também da libertação dos escravos, mas aí era misturar muito assunto parecido... Mães e filhos, quem é escravo de quem??

Adhemar - 13/05/2012

domingo, 6 de maio de 2012

REVALIDAÇÃO

São tantos votos... Tantas premissas, compromissos, alvos a confirmar. Projetos idos. Ídolos a idolatrar. 
São tantas palavras a conferir, gramática, nova ortografia, equações... Tantos procedimentos, preliminares, fases da lua, ruas cheias...
São tantas teorias a sofismar... Rotas traçadas nos mapas, bodas, eleitos a escolher...
São tantas latas de tinta... Cores, matizes, listas pra atualizar. Projeções pra assistir, ícones a exaltar.
São tantos planos perdidos... Elos iludidos, amores platônicos - ou daltônicos - correntes pra se fechar.
São tantos versos escorridos, escondidos numa prosa, só pra se disfarçar...

[Adhemar - São Paulo, 22/10/2011]

terça-feira, 1 de maio de 2012

PASSADOS


"Tua sombra se levanta do meu passado.
Um passado intermediário.
Sim. porque tenho classificado o meu passado em vários."
"O passado pré histórico é o que remonta à primeira infância.
Hoje em dia, a memória o desmancha,
causa perdida em única instância."
"Já o passado básico abrange o do quando criança até o se entender por gente.
Lembro-me vagamente crescendo,
querendo ser grande com uma pressa urgente."
"Depois, o passado intermediário.
Este liga o infante ao adolescente,
ao quase-homem.
Marca o início dos pensamentos,
tanto os profundos quanto os indecentes."
"E tua sombra, esperta, se fez impressa no tímido pubescente;
que mais tarde, feito poeta,
te cantou e te louvou em múltiplos espelhos diferentes."
"E tua sombra, esperta, grudada no jovem mocinho,
atravessou meu passado moderno,
aquele do recém-homem ao homem sério.
Escondeu-se por um certo tempo numa aura de mistério,
no estrangeiro."
"Minha fase de homem sério é meu passado contemporâneo,
é meu passado te procurando,
um outro lado se aprimorando naquilo que não é instantâneo."
"E o meu passado recente é o meu futuro,
o meu presente trancado no lado escuro de um sentimento dolente;
no qual tua sombra pura continua predominante."
"Mas a certeza que carrego na mente
é guardar a tua sombra criança,
tua lembrança,
para trás, pra hoje e pra sempre…"
[Para A.P.C. - Adhemar - S. Paulo, 25/06/2000]
Memória
Escrito a próposito da lembrança de um amor (platônico) da adolescência; quando me dei conta, ela tinha partido de inatingível para inalcançável…
Adhemar, 02/05/2008.