Pesquisar este blog

sábado, 30 de junho de 2012

PROFUNDIDADE ABSOLUTA

Olhos fechados.
Lembranças...
Imagens coloridas.
O engrandecimento das emoções repetidas.
A divisão dos sentimentos,
o compartilhamento,
as fases divididas...

Boca hesitante,
frases diletantes...
Palavras fugidias.
O acontecimento contestado e brilhante.
Luz se apagando,
o esmaecimento,
imagens coloridas...

Braços levantados.
Lamentos...
Momentos revividos.
O esquecimento do que está distante.
O dia está morrendo,
a noite está chegando,
paisagens dissolvidas...

[Adhemar - São Paulo, 21/06/2012]

domingo, 17 de junho de 2012

Meu tio (Sanna)

Despedida de um fã




Uma nova estrela ascendeu, acendeu.
E como entendia de luz, de luta…
Pequena estatura física irradiando uma grandeza
cujo diâmetro será infinito enquanto durar sua obra.
Sua obra, como a de outros mortais,
não é exatamente o que fez; mas o modo como fez.
Com vontade, com força, com determinação.
Com orgulho, tenacidade, altivez, independência.
E ainda lhe sobrou espaço para estender a mão.
Sei que sim.

Dentre tanta gente que há neste mundo,
se distinguiu por ver mais longe, mais rápido e melhor.
Não se contentou com o óbvio e, do simples,
fez o sofisticado, o eficiente.
Decolou - sem o dispensável reconhecimento público -
da mediocridade geral do nosso século.
Vai habitar o plano superior dos especiais, seus iguais.
Perante quem o conheceu,
será sempre uma imagem de firmeza e luminosidade.
Independente dos pecados, da dureza e das tristezas da vida.
Tal como um cometa, enorme massa de matéria quente e brilhante,
passou, surpreendeu e sumiu.
Inesquecível e cadente.
Sua descendência incandescente carrega sua herança:

Inteligência e perspicácia.
Ousadia e perseverança.
Arte e habilidade.
Técnica e dedicação.

Cada um leva também o orgulho de se saber capaz e as lindas cores da Fênix.

Para Antonio Sanna (20/04/1922-17/06/1998)
[Adhemar - S. Paulo, 18/06/1998]


Amigo, mais do que Tio.

Hoje completam-se dez anos de ausência. Éramos muito próximos, ele tinha uma grande paciência comigo, desde algumas conversas de tio para sobrinho, na minha adolescência, até o me levar a algumas empresas conhecidas dele, no empenho por um emprego de desenhista para o aspirante a arquiteto. E quando fizemos um projeto de iluminação para uma academia de ginástica? Fizemos não, ele fez. Me ensinou a calcular a luminosidade necessária para os ambientes, conforme a luminária e o tipo de luz emitida, inclusive. Me honrou com sua companhia me convidando para conhecer seu laboratório de testes de iluminação em sua casa (à época, o único certificado no Brasil por uma instituição internacional especializada no assunto). Fez testes de iluminação para as maiores fabricantes de luminárias do Brasil (aliás, é autor dos projetos da iluminção original da pista de descida da Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, e do Aeroporto Intercional do Galeão - no Rio de Janeiro). Inventou e fabricou brinquedos pedagógicos. Nunca se vangloriou disso, e nem de ter projetado o atual formato das máquinas de lavar roupas com a tampa em cima. Nascido na Itália, perdeu a família na segunda guerra mundial. Enfrentou todo o tipo de dificuldades e de preconceitos (tinha um ligeiro defeito em uma das pernas em consequência de uma poliomielite). Mas dificuldades físicas nunca o impediram de trabalhar. Tinha um gênio pra lá de difícil, mas era amoroso, sem que se esperasse dele um passar a mão na cabeça. Mas o coração era enorme, e mole. Sua vida daria um livro dos bons (quem sabe se por estas mesmas mãos que ora relembram com tanta saudade), de aventura, romance, sofrimento e glória. E no desfecho, só omitiria a covardia deste pretenso admirador entusiasta, que nos últimos tempos de sua vida, hospitalizado, doente, e até mesmo no dia de sua morte, preferiu chorar de longe.
Adhemar, 17/06/2008.

Catorze anos então
 
No resgate dos textos do blog original, não poderia deixar de registrar este. Os motivos estão explicados no próprio texto, e no comentário que resgatei também, consta nos comentários, abaixo.
 
Adhemar - 17/06/2012.

domingo, 10 de junho de 2012

DESGLÓRIA

Uma luz se acende na memória
iluminando ideias e ideais.
Uma sombra se projeta na esperança
de reencontros com quem não volta mais.

Na ausência um torpor invade frio
uma causa em instância já perdida
mesmo que a defesa, com ardor e muito brio,
tenha sido veementemente enternecida.

Estacionada lá no peito uma dor funda
que o poeta não iluda nem confunda
nem agrave na tristeza a sua dor...

Essa memória que é tão doce e dolorosa
que o o coloca em pânico, ou polvorosa,
é sua própria história de amor.

[Adhemar -  São Paulo, 30/07/2009]

domingo, 3 de junho de 2012

CONVICÇÕES

Abraço apertado de saudade.
Ausência sentida,
jurisprudência.
Intermináveis mudanças,
aliança trocada de mão.
Um adeus agora,
abraço apertado de saudade
é pra depois.

Assunto tratado em reuniões,
sucessivas decisões para braços cruzados.
Repaginar os problemas de sempre
com ênfase no "sempre";
pois são os outros - sempre -
que detêm as melhores soluções.

Olhos na paisagem.
Olhos nos olhos.
Acordos implícitos.
Abraço apertado de saudade,
olhos molhados de verdade.

Verdades tratadas em reuniões.
O negócio é apresentá-las como mentiras
fantasiosas, fantásticas:
vende mais,
basta parecerem ilusões.

Tempo sem máscaras,
já foi.
Tempo deslocado,
olhos semicerrados,
abraço apertado,
de saudade...

[Adhemar -  São Paulo, 09/11/2011]

sábado, 2 de junho de 2012

NOITE SUAVE

Doces perfumes,
paz,
praias e mar.

O sol nascendo e se pondo,
reflexões.
Sabores novos,
esperanças,
um novo lugar.
Vento constante,
tranqüilidade.

Os pensamentos saneados e leves,
alegres,
numa expectativa positiva.
Torcer?
Pedir a Deus que interceda?
Aprender a renovar o que se sabe?
Sim.
Doces perfumes.

[Adhemar - Aracaju, 28/01/1988]

Arquivado em: Poesia I Comentários (1)