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domingo, 17 de junho de 2012

Meu tio (Sanna)

Despedida de um fã




Uma nova estrela ascendeu, acendeu.
E como entendia de luz, de luta…
Pequena estatura física irradiando uma grandeza
cujo diâmetro será infinito enquanto durar sua obra.
Sua obra, como a de outros mortais,
não é exatamente o que fez; mas o modo como fez.
Com vontade, com força, com determinação.
Com orgulho, tenacidade, altivez, independência.
E ainda lhe sobrou espaço para estender a mão.
Sei que sim.

Dentre tanta gente que há neste mundo,
se distinguiu por ver mais longe, mais rápido e melhor.
Não se contentou com o óbvio e, do simples,
fez o sofisticado, o eficiente.
Decolou - sem o dispensável reconhecimento público -
da mediocridade geral do nosso século.
Vai habitar o plano superior dos especiais, seus iguais.
Perante quem o conheceu,
será sempre uma imagem de firmeza e luminosidade.
Independente dos pecados, da dureza e das tristezas da vida.
Tal como um cometa, enorme massa de matéria quente e brilhante,
passou, surpreendeu e sumiu.
Inesquecível e cadente.
Sua descendência incandescente carrega sua herança:

Inteligência e perspicácia.
Ousadia e perseverança.
Arte e habilidade.
Técnica e dedicação.

Cada um leva também o orgulho de se saber capaz e as lindas cores da Fênix.

Para Antonio Sanna (20/04/1922-17/06/1998)
[Adhemar - S. Paulo, 18/06/1998]


Amigo, mais do que Tio.

Hoje completam-se dez anos de ausência. Éramos muito próximos, ele tinha uma grande paciência comigo, desde algumas conversas de tio para sobrinho, na minha adolescência, até o me levar a algumas empresas conhecidas dele, no empenho por um emprego de desenhista para o aspirante a arquiteto. E quando fizemos um projeto de iluminação para uma academia de ginástica? Fizemos não, ele fez. Me ensinou a calcular a luminosidade necessária para os ambientes, conforme a luminária e o tipo de luz emitida, inclusive. Me honrou com sua companhia me convidando para conhecer seu laboratório de testes de iluminação em sua casa (à época, o único certificado no Brasil por uma instituição internacional especializada no assunto). Fez testes de iluminação para as maiores fabricantes de luminárias do Brasil (aliás, é autor dos projetos da iluminção original da pista de descida da Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, e do Aeroporto Intercional do Galeão - no Rio de Janeiro). Inventou e fabricou brinquedos pedagógicos. Nunca se vangloriou disso, e nem de ter projetado o atual formato das máquinas de lavar roupas com a tampa em cima. Nascido na Itália, perdeu a família na segunda guerra mundial. Enfrentou todo o tipo de dificuldades e de preconceitos (tinha um ligeiro defeito em uma das pernas em consequência de uma poliomielite). Mas dificuldades físicas nunca o impediram de trabalhar. Tinha um gênio pra lá de difícil, mas era amoroso, sem que se esperasse dele um passar a mão na cabeça. Mas o coração era enorme, e mole. Sua vida daria um livro dos bons (quem sabe se por estas mesmas mãos que ora relembram com tanta saudade), de aventura, romance, sofrimento e glória. E no desfecho, só omitiria a covardia deste pretenso admirador entusiasta, que nos últimos tempos de sua vida, hospitalizado, doente, e até mesmo no dia de sua morte, preferiu chorar de longe.
Adhemar, 17/06/2008.

Catorze anos então
 
No resgate dos textos do blog original, não poderia deixar de registrar este. Os motivos estão explicados no próprio texto, e no comentário que resgatei também, consta nos comentários, abaixo.
 
Adhemar - 17/06/2012.

2 comentários:

Adh2bs disse...

Comentário por Antonio Carlos Sanna — quarta-feira, 18 de junho de 2008 (10:31:46)

- Tentamos convencê-lo a escrever esse livro. Não deu tempo.
- Únicos, cada um de nós reage do seu jeito. Não provam-se ou medem-se sentimentos pelo simples cumpimento dos protocolos sociais. Silêncio e ausência têm sua dignidade.

jose claudio disse...

Que trajetória linda, Adhemar! E concordo com o comentarista anterior também. Não medimos nem podemos julgar os sentimentos que ligam duas pessoas por protocolos sociais. Há mais amor nesta homenagem do em que qualquer comparecimento a hospitais ou velórios.

Maravilha, meu amigo. Abração e ótima semana.