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terça-feira, 7 de agosto de 2012

FATOS


"Deu-se que Fulano morreu. Assim, de repente, e ele nem percebera. Quando começou a desconfiar, já estava na enorme ante-sala de recepção, entre o céu e o inferno. Então, mais conformado, começou a olhar em volta e apreender a situação: diante de uma enorme mesa, ao centro, estendia-se uma fila interminável de pessoas, digo, almas, que não parava de aumentar. Ao longo da imensa mesa central, centenas de atendentes confinados por uma espécie de guichê, iam recebendo os aflitos desencarnados, procurando minimizar sua confusão mental; e após uma espécie de tácito acordo, os espíritos dirigiam-se alternadamente ora para a porta do céu, ora para a porta do inferno. Intrigado com tamanha precisão na distribuição do pessoal, o Fulano dirigiu-se diretamente a um guichê que acabara de vagar - mesmo diante do protesto do espírito que chegava e de quem era a vez:"
"- Por favor, mocinha, uma informação?"
"- Qual sua senha, senhor…?"
"- Eu não peguei a fila não. Mas por que é que vai um sim, um não, pro céu e pro inferno?"
"- Bem, senhor, já que perguntou…"
"E rabiscou uma espécie de formulário que entregou ao recém-chegado, indicando uma terceira porta que ele, até então, não notara: VIA ALTERNATIVA. E ele foi, mais intrigado ainda, porque ela dissera que o purgatório era no vestíbulo de cada um dos departamentos - um no céu, outro no próprio inferno. Foi pensando nisso que abriu a porta. Ao entrar, caiu no vazio; a princípio, muito claro, caiu devagar. A medida que caía mais rápido, ia escurecendo também, até o escuro total numa velocidade vertiginosa; até o baque, brusco, violento e dolorido. Abriu os olhos, se achou em sua própria cama numa manhã qualquer de abril."
[Adhemar - Sto. André, 21/10/2005]
O fato:
A princípio, me parece o relato de um sonho deveras sonhado; ou terá sido só um cochilo sobre a mesa, no serviço? Apesar que o rascunho não está babado…
Adhemar, 29/03/2008

3 comentários:

Adh2bs disse...

Comentário por AABS — quinta-feira, 3 de abril de 2008 (19:35:51)
Os sonhos são maravilhosos aconteçam eles enquanto estamos dormindo ou acordados!

[COMENTÁRIO DO BLOG ORIGINAL]

C@urosa disse...

Olá amigo poeta Adhemar, são pequenos lapsos de tempo inerte que nos assustam e nos levam a profundas reflexões sobre a vida e a morte(longe) e, se possível, sem babar na fronha.

forte abraço

C@urosa

Selma Barcellos disse...

Adh, querido, gostei tanto da narrativa... Sempre que venho aqui encontro surpresas. Bom demais!