Vejam o que se deu com um amigo meu: foi convidado para um casamento ao qual ele nem ia; mas sabe como é, não tinha nada pra fazer naquele dia, acabou indo. Caprichou na beca, lustrou os sapatos e colocou gravata - aliás, duas coisas que ele detestava fazer. Pois bem; emprestou um par de abotoaduras do pai dele, alfinete de gravata e o dinheiro do táxi. Chegou tão atrasado que a noiva já estava esperando há mais de hora e meia na porta da igreja quando ele entrou. Tudo bem, deu tchauzinhos aos conhecidos e aos desconhecidos, porque nesses momentos a igreja é terra de ninguém, e todo mundo lá dentro.
Mas, espera que espera, deu-se que o noivo não aparecia. Com mais outra hora e meia de noiva na porta e já se desmanchando, alguém conseguiu ligar para o ausente, no celular. E não é que o cara estava a caminho das Bahamas? Pegou as passagens da lua-de-mel e se mandou pra lá com uma tremenda mocréia - pelo menos na recém balbuciada opinião da noiva quando parou de chorar. Mas acontece que a família não estava para aguentar o vexame: igreja lotada, festa encomendada, o pai da noiva intimou a moça a escolher uma vítima bem apessoada e, de preferência, solteiro. Vai que a menina, numa rápida olhada… Não é que ela escolheu o meu amigo? E ele ficou tão estatelado de surpresa que não reagiu. A moça não era de se jogar fora, a família era rica… Passaram a lua-de-mel no Guarujá e estão casados até hoje. E ele ainda não conseguiu entender o que outro foi fazer nas Bahamas.
[Adhemar - S. Paulo , 07/03/2003]
