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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

LADEIRA

As palavras brotam em torrentes
que não se consegue deter
Se atrapalham, se inventam
mas não param
Ora são como trigo
que demora a crescer
e de que o vento espalha os grãos
Ora são como cactus,
cheios de espinhos por fora
mas cheios de água fresca por dentro

As palavras desembestam sem freio
Malcriadas ou doces
Cortantes como um tapa na cara,
ou doces
Pegajosas, meladas, 
ou doces

As palavras desengolfam espessas,
inventadas,
vomitadas e nauseantes
Simpáticas, afáveis, molhadas
Cuspidas ou traduzidas,
volúveis

E mesmo assim, 
às vezes não dizem tudo.
Palavras são ladras vadias
Ou são redentoras,
ou são o mundo.

[Adhemar - São Paulo, 22/09/2000]

2 comentários:

Nina disse...

Otimo poema, gostei muito do ritmo que voc

Nina disse...

Que voce deu a ele. Para mim, palavras podem ser traiçoeiras ou salvadoras, depende da nossa boa vontade ao registrarmos o que pensamos.
O ritmo realmente me é familiar, talvez eu procure depois o poema que este me lembrou.
Feliz 2013! beijos