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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

VÉU

Agora mesmo eu me dei conta
de que conheço tanta gente
que me fez depositário
de quantos segredos transparentes...

E que me falam incontáveis palavras
que me cobrem
e escorrem feito água na corrente

Mesmo agora me dei conta
de quanta gente me escolhe
para jogar palavras que as molhe
feito unção em cruz e vento.

Logo eu, tão desatento...
Tão sem tempo de passá-las à limpo
ou ao menos pensamento...
Penitência...

Agora mesmo estão deitadas
essa gente e as palavras
e a fé, o louvamento
e a ciência.

Quanta gente deposita e confia
sua rica longa história.
Quanta glória caprichada
na pausada letra fria...

Nessa caligrafia,
nesse passo além-espaço
aonde cabe a melodia
no tempo de um meio-dia,
meia-noite, meio maço...

Papéis envoltos num laço,
segredos perdidos pra sempre...

[Adhemar - São Paulo, 04/12/2012]

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