domingo, 27 de janeiro de 2013

AZUL

Azul de um pálido parado,
indeciso e delicado.
Azul altivo e nivelado,
espectador mascarado.
Mascarado em sua dor intensa
como quem chorou e ora pensa.
Azul como a prateleira escura da despensa;
azul de um jogue, arrisque e vença.
Azul braços cruzados na espera.
Azul na ante-sala e na esfera.
Azul de olhos fechados na entrega.
Azul lábios cerrados, nunca chega.
Madrugada azul, braços abertos.
Olhos claros, azuis, espertos;
nos epelhos-labirintos, longes-pertos.
Azul cambaleante, passos incertos.
Azul de claridade tão sincera,
de concentração preta, cinzenta.
Azul que não se inventa em verde plano,
azul quebrado ao meio, faixa amarela.
Azul estudioso, compenetrado.
Azul castanho escuro, avermelhado.
Azul orgulho, azul simplificado.
Azul dois menos um e o resultado.
E o resultado é azul, simples assim,
como o estudante desbotado, enfim,
como o tudo e como o nada, o não e o sim,
como o verso azul que chega ao fim.
[Adhemar - São Paulo, 03/12/2003]

domingo, 20 de janeiro de 2013

ML18

Ao chegar aos dezoito anos, atinge-se um marco. Passamos a ser responsáveis pelos próprios atos, segundo a lei, somos obrigados a ir votar, podemos - finalmente - dirigir, comprar bebidas e mandar o mundo às favas, se a gente bem entender...
Hoje, o Marco é que atinge os dezoito. Expectativas controladas, caminho profissional escolhido ainda que no fundo haja uma certa dúvida, ou receio, para assumir novas responsabilidades, velhas crenças e ver que o mundo não precisa ir a parte alguma; a gente é que vai andar - e muito - por ele.
Melhor assim.
Olhando de perto como a gente o vê todo dia, percebe-se nitidamente o homem, já. Gentil atrás de uma certa rusticidade, decidido na polidez estudada e determinado nos propósitos definidos. Enfim, mais poderia ficar aqui explicando com esta emoção de pai orgulhoso da prole, tentando se conformar que os filhos são mesmo pro mundo: então, aí vai mais um, generoso, altivo, solidário e capaz. 
Parabéns, juízo e sucesso!

P/ Marco Luiz
[Adhemar - São Paulo, 20/01/2013]


sábado, 19 de janeiro de 2013

BRASIL


 Vai a vida passando, dando seus pulos. Improviso, artimanhas, o famoso "jeitinho", as coisas se ajeitando.
               O ministro falou que o brasileiro tem expediente; por isso - ele, ministro - não se preocupa com o desemprego… Cabe esclarecer que ele é o ministro do trabalho.
                Cada vez mais adoro o Brasil e me orgulho de ser brasileiro. De ser do país onde o presidente coloca um mega-especulador do mercado financeiro na presidência do Banco Central. Eliminou os intermediários!
                O salário dos congressistas e do alto escalão do governo não é indexado ao salário-mínimo. O salário-mínimo, essa terrível miséria contra a qual todos eles bradavam antes das eleições, em suas campanhas eleitorais.
                Nós, testemunhas mudas da origem de nossas dificuldades, permanecemos silenciosos como os torcedores de um time inferiorizado em campo, perdendo, mas acreditando com toda a nossa fé no surgimento de um gol, no surgimento repentino de um gênio no nosso time. Um salvador da pátria!
[Adhemar - São Paulo, 07/02/1999]
Brasil
Esse texto foi escrito à época em que o presidente do país era o Sr. Fernando Henrique Cardoso. Malgrado os meus pecados, continua valendo pro Sr. Luís Inácio Lula da Silva. O traço que eles têm em comum é o fato de que "sem alianças" o país fica ingovernável. E fizeram alianças justamente com aqueles que manobram nos bastidores - e não é exagero dizer, basta estudar história - desde os tempos do Império. Reféns, como todos os outros presidentes desta república (inclusive os militares), pouco mudaram a estrutura de poder que administra esta nação.
Este espaço foi criado para outras proposituras que não a discussão de política, futebol e religião (embora os três assuntos se confundam entre si e façam parte diuturna da vida da gente). Mas a poesia de hoje pode esperar um pouco, porque até um quase alienado como eu precisa se manifestar de vez em quando. E o fiz por causa de um "post" intitulado R$120 da Bárbara, jornalista, no "blog" Infinito das Palavras cujo "link" encontra-se aí ao lado. São os jovens despertando nos "velhos" aquele adormecido ideal de mudar o mundo.
Adhemar, 19/07/2008.

BRASIL 2013

Quase 5 anos depois de postado esse texto (e 14 anos depois de escrito!), encontramos a mesma estrutura. Os problemas superficiais se encaminharam embora ainda sejamos presa de uma estrutura viciada, enraizada em nossa maneira de ser brasileiros. Isto é, a moral e a ética sempre dilatadas quando interessa, e não estou falando só dos governos... O que mudou foi que o blog citado não existe mais. Uma pena, o texto era bacana demais.
Mas este espaço continuará sendo um depósito de poesias, prosa e quiçá projetos...

Adhemar, 19/01/2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

ESPAÇONAVES

Andarilho ou viajante
desorientado ou perdido
persistente caminhante
idealista iludido.

Inteligente ou pensante
relatório ou lista
novidade interessante
fiador ou avalista?

Combinado ou contrato
obrigações e deveres
concreto ou abstrato
falas e dizeres...

Ação - ou espera
tempo passando parado
manso e fera
sonhador realizado...

[Adhemar - São Paulo, 20/08/2011]

domingo, 6 de janeiro de 2013

COMUNICAÇÃO


Pensei em telefonar.
Não deu.
Contraste…
Ligado sem ligar.
Nada de fios ou tecnologia,
avançada ou complicada.
Ligação etérea,
ou aérea,
sem retransmissor ou radar.
Ondas do coração
se propagando pelo ar.
P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 20/08/1987]
Comunicação!
Alô, terra, contato! Estamos de volta a partir de hoje mantendo atualizações quase diárias nesta página, não percam! Aliás, não espalhem mas montei um blog homônimo no “blogspot.com”, assim que tiver texto por lá eu aviso. E se for melhor do que escrever aqui, adeus terra! Com todo respeito, evidentemente…
Adhemar, 08/01/2009.

COMUNICAÇÃO... DOBRADA
Janeiro de 2009 é a época de início deste blog, feito para substituir o outro. Por isso é que temos trazido o que foi postado só por lá, resgatando o conteúdo e comentários...
Adhemar, 06/08/2013.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

MIL PEDAÇOS

De tão fragmentado eu reconheço
o coração partido que não volta;
apesar de catar cacos, recomeço,
nesse clima de amargura e de revolta.

O coração, acompanhado por escolta,
vai despedaçado e pelo avesso;
apegado a cada parte que não solta
num reconstruir que não tem preço.

E tenta em vão comportar-se como adulto,
estraçalhado, porém firme, sóbrio e culto
num acabado sofrimento a tempo e hora...

Fazer do sempre a esperança do agora;
fingir o mosaico elogiado como insulto
sofrendo então do amor ainda insepulto...

[Adhemar - Santo André, 03/05/2007]

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

ELO


A luz do luar de um filme antigo trouxe a memória do novo.
Há uma sombra deserta na silhueta solitária.
Depois de tanto tempo, vida divina.
Um novo ano, uma nova pena.
Pena das penas já sofridas.
Erro incorrido na desgraça de um cérebro cansado.
Amor, estranha luz incidente na sombra do arvoredo.
Paixão, inexplicável calor do coração do ser amado.
Carinho, ligação entre a paixão e o amor,
gesto mais lindo…
Um novo dia, um novo tempo começado.
Agora não se é mais o que se era antes.
Agora, maiores e diferentes…
Um novo olhar para de novo olhar o mundo.
Agora, ver outras coisas.
Ver que tudo se passou de repente,
mas aconteceu no tempo certo.
O que passou pode não se saber de imediato;
mas há como uma conexão etérea e sublime entre todas as coisas.
Agora, já se faz parte presente em todos os momentos da vida,
a outra vida da gente!
P/ SM[Adhemar - 03/01/1989]
Ano novo, amor novo…
Para aquela que seria, definitivamente, a senhora de meus dias!
FELIZ 2009!
Adhemar, 01/01/2009.
CONEXÃO
Aproveito o 'post' importado do blog original para manifestar a todos os passantes um feliz 2013. 
Já que o mundo não acabou, proponho que o façamos melhor, juntos.
Grande abraço,
Adhemar, 01/01/2013