terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

INSÔNIA AFLITA

São três horas da manhã. Tento escrever um desabafo sem ultrapassar as linhas do papel. O espaço é restrito mas são palavras demais. A caneta vai se mexendo nervosamente sobre esse papel, balançando no ritmo das pulsações da minha aflição. Sob o sol de algum lugar distante está o outro lado dos meus pensamentos.

Agora, já são mais de três. O tempo se alterna entre rápido e cruel, só pra antegozar meu sofrimento. As letras ilegíveis continuam a se espalhar sobre o papel, naquela dança típica de um salve-se quem puder, registre-se o que passar na cabeça. Esta é tão ôca que ora reproduz os sons da noite: aviões voando, carros passando, pessoas murmurando, falando ou gritando.

Finalmente a sonolência vai chegando, as palavras vacilantes vão cada vez mais lentamente se entortando no papel. As aflições vão se dissipando e... Psiu! O poeta apaixonado está dormindo.

[Adhemar - São Paulo, 26/06/2008]

2 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá poeta
Não acordem o poeta, provavelmente ele está sonhando com a sua paixão.
Grande abraço

Marli Borges disse...

O sono bendito, e muito querido! Durma poeta!!!! Amei a prosa poética. Bj