domingo, 31 de março de 2013

DISCURSO

Eu queria dizer algo atemporal
mas foi só uma tempestade de palavras.
Eu queria beber o temporal
mas foi só um afogamento em lágrimas.

Deixei o tempo, deixei as águas.
Libertei as letras,
as mãos abertas,
não usei canetas nem mágoas.

Adormeci a inspiração,
rifei as musas dos poetas.
Andei pra trás, na contramão,
por linhas retas.

Quis representar só figuração
e encantar bocas abertas
em tantas palmas de consagração,
por linhas certas...

Em certas linhas
quis derrubar o equilibrista,
roubar pra mim as coisas minhas,
todas numa lista.

Desviei tantos olhares
pra trás de ondas balançando
nuns malfeitos exemplares,
seriamente brincando!

Retornei de um desde quando
palmilhando vias seculares.
Nessas tantas linhas entortando
curvas espetaculares...

Despertei a admiração
de públicos inusitados
vendendo uma enorme coleção:
versos calados...

[Adhemar - São Paulo, 02/09/2011]

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