sexta-feira, 28 de junho de 2013

RELÂMPAGO

O H da faísca
é como um vaso etrusco
que se quebra ao movimento brusco
e solta um cálculo que risca

Homem com M maiúsculo
dono de um nariz grego
fala por um olho cego
e pensa por um fraco músculo

O E da lâmpada se apaga
numa claridade bem disposta
escondida atrás de uma lagosta
rudemente bate e afaga

O A da moça atrapalha
perguntando à aeromoça
se ela vai dar uma força
ou se joga a toalha

O menino do L grande
se debate num estrago
no pesadelo devolvido ao lago;
morde a isca ou expande?

O N do velho envelhece
a palavra some na garganta
O B do traseiro se levanta
e a morte o rejuvenesce

O P de tudo interessa;
porém a poesia se aborrece
porque o poeta a esquece
mas, tudo bem, não há mais pressa...

[Adhemar - São Paulo, 05/02/2012]

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