segunda-feira, 3 de junho de 2013

TROCA

Abrem-se as páginas de abril;
azul claro ao fundo,
abaixo de tênues linhas em anil.

Um verso murmurado em língua estrangeira.

O trem apitando,
a ferrovia está além dos verdes jardins.

Todas as canções parecem monocórdicas.

Os ventos se calam,
os pássaros descansam.

O sol amarelo e quente,

vermelho e abafado,
passos quietos se aproximam.

Abrem-se as páginas da paisagem,

na areia onde o mar se desenrola.

A fotografia em branco e preto

oculta essa alegoria entrelaçada das cores,
da luminosidade e do silêncio.

O silêncio rompido

pelo zumbido de um inseto.

O inseto rompido

pela velocidade do batráquio que o devora.

O verso alaranjado em língua estrangeira

fechando as páginas desbotadas de janeiro...

[Adhemar - São Paulo, 18/02/2012]

Nenhum comentário: