sábado, 20 de julho de 2013

EMOÇÃO

Sob chva intensa, reflexões perdidas no cérebro vazio. Sem salvação como e-mail deletado, como o mergulho no mistério do que é a criação. Tão longe de Deus - e tão perto! Tão profunda é a luz dessa tela, um surto, um enfarto. Tão incerto como cada passo, como uma notícia e como o vento. Pobre vento que trouxe a chuva, o frio, o medo. Piadas, risos, o nervoso diante de um amanhã escuro, pagão. Ah! Pagão... Deus nos perdoe o trocadilho inadiável, pois, no escuro, o frio, o medo e a tela serão inseparáveis. Quem somos? O que fizemos? Quais castigos mais mereceremos?

À sombra, à noite, ao mar: sonhos, estrelas, navegar. Navegar sentado - o que Fernando Pessoa diria (ou não foi ele?) - que navegar é preciso... E, navegando, vegetar. Conforme o meu amigo caipira, pra quem vegetar é pranta! E, tal Vinícius, em seu louvor a gente canta. Mas, de repente, se dá conta da torrente de asneiras, do chão que não levanta. Prosa com rima, poesia estranha, letra corrida; e um ponto final que não chega, não aconchega e nem descansa. Não desliga, quer ir mais longe e mais longe, sem se mover no entanto. O mundo passa como por encanto, como num filme, como num momento; e não podemos retê-lo nas mãos, nos olhos ou nas palavras: só na lembrança.

[Adhemar - São Paulo, 16/05/2001]

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