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sábado, 17 de agosto de 2013

DESARMAMENTO

 "A respeito do plebiscito sobre o assunto, resolvi agir em causa própria, pensar e definir a favor dos meus ideais. Pode parecer egocêntrico, mas é prático. Vou votar no SIM, a favor da proibição do comércio de armas - logo eu, que sou contra que se proíba qualquer coisa! Mas é um falso dilema, como pude constatar pelo tempo em que fiquei pensando nos prós e contras. Não importa o que pode estar por trás da campanha - desde interesses eventualmente escusos ou o descrédito geral na diminuição da violência - eu sou contra a FABRICAÇÃO, O PORTE E O USO DE ARMAS,  desde armas de fogo até as armas brancas, qualquer tipo de arma. Acho os seres humanos suficientemente criativos para se agredirem com paus, pedras e as próprias mãos; e, mais do que isso, para descobrir motivos de sobra para não agredir ninguém."
          "Não comercializar as armas pode não ser o correto, o necessário e nem sequer o verdadeiro caminho para diminuir a violência. Mas já é um começo. Creio, firmemente, que o ideal de cada ser humano - particularmente o dos brasileiros - seja tão forte que pode transformar as coisas (desde que exercido conscientemente). Chega de ser tangido: apresentou-se uma questão, opinemos de acordo com a nossa vontade e visão de futuro. Se a sua for garantir um direito - ainda que meio besta - do cidadão ter uma arma, vote NÃO. Eu não estou isento de sofrer um assalto ou outra manifestação de violência qualquer. Mas nunca saberia me defender com uma arma. Rezo a Deus para que nunca passe por uma situação assim. Se tiver que passar, que minhas palavras sejam capazes de me defender; que o amor que eu possa irradiar afaste e impeça a ameaça. E se isso não bastar, que aqueles que me conhecem possam perdoar o agressor. Deixei de chamar esse pensamento de UTOPIA, pois nele tenho uma imensa FÉ. E, gradativamente, tenho deixado de agir contra a minha fé."
          "Gostaria que cada pessoa pudesse estender a sua própria fé - seja religiosa, futebolística, política ou científica - para todas as sua crenças cotidianas. Professar a sua honestidade mesmo em meio a tanta falsidade. Não transigir em princípios mesmo em meio à iniquidade. Nunca se envergonhar de sua sinceridade e nem se esconder, mesmo que o meio lhe seja hostil."
          "Àqueles que acharem ridículas ou românticas estas posturas, peço que descerrem suas defesas e compartilhem seus ideais vivendo de acordo com eles, e não guardando-os preciosamente para si. E que perdoem os seus inimigos, procurando as mais antigas razões da indesejável inimizade. E ninguém irá precisar de uma arma, nem como um símbolo das nossas piores tolices."
[Adhemar - S. Paulo, 11/10/2005]
Tiroteio
Escrito às vésperas do plebiscito e enviado por e-mail aos meus familiares e amigos, e a alguns jornais e revistas de grande circulação (ao que eu saiba, nenhum publicou). Havia uma intensa e cansativa discussão a respeito e o texto foi escrito principalmente para os que me espinafravam em razão de ser a favor do SIM.
Adhemar, 29/04/2008.

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentários feitos no blog original:

Comentário por isa — terça-feira, 29 de abril de 2008 (17:05:24)
Compartilho e assino em baixo…
E sinto muita pena que a violência esteja no coração de tanta gente…armados ou não!!!
Abraços

Comentário por Cleide Yamamoto — terça-feira, 29 de abril de 2008 (22:23:05)
Gostei do que li, também sou da turma do Sim. Não acho que ter uma arma vai nos trazer paz. Vim conhecer o seu cantinho, que você esqueceu de deixar o link lá no meu, mas eu o achei, e já estou colocando lá nos meus favoritos. Um abraço,