salta o homem nu, vai sem acaso
impulsionado numa força estranha
numa órbita espiral - em torno, estrelas -
ele gira sem parar; louca ciranda.
Voando livre, sem pudor nem glória
ultrapassa as velocidades do som, da luz.
Segue tão rápido nessa órbita estranha,
a boca seca, as mãos espalmadas,
num certo rumo do universo ele se guia.
Mais veloz e mais veloz, em parafuso,
se confunde com cometas e asteróides.
Segue reto para a estrela imensa
(imenso tamanho, alcance e poder),
imenso clarão de luz, magia e calor.
Misteriosamente na estrela ele mergulha,
fantasticamente some no clarão azul,
incandescente e descontrolado.
Lá no âmago da estrela ele explode
e com violência o clarão se expande.
No choque cósmico do homem com a estrela
sobra um algo da terrível explosão:
um novo sol ou uma coisa parecida
em nova órbita vai crescendo, formidável.
É o que era antes, no homem, coração.
P/ L.A.S.
[Adhemar - São Paulo, 22/05/1987]
SOBRA
Poesia escrita para meu primo Luiz Antonio Sanna, pintor e publicitário, que culminou no quadro feito por ele (reproduzido abaixo); uma espécie de parceria onde poesia rendia quadro. Se não me falha a memória, foram três. O diacho é localizar as poesias, os quadros eu sei muito bem onde estão!!! Este está na parede da minha sala.
A denominação "Homem no espaço" foi dada por mim, tanto para a poesia quanto para o quadro; caso o autor do quadro discorde, podemos retificar...
Adhemar, 18/09/2013

Um comentário:
O quadro foi retirado da parede para ser fotografado; fotografado em ângulo para não aparecerem reflexos do ambiente no vidro do mesmo. Ainda bem que o autor da foto vive de outra profissão!!
Adh
Postar um comentário