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domingo, 1 de setembro de 2013

SIMÉTRICA IRONIA

Banzo. Nostalgia. Saudosismo.
Aquele apelo essencial,
pungente e inevitável;
e a gente percebendo que é real:
é porque todo o nosso idealismo,
tudo aquilo em que a gente acreditava
agora está fora de moda,
fora da pauta do discurso,
fora do repertório da moçada.

Sapato amarrado,
calça na linha da cintura;
cabelo cortado
e a cordialidade em curso.
Violência?
Só se fosse estilizada.
Música?
Só se não fosse gritada;
e dançante, de preferência...

A gente saía na noite
pra azarar a mulherada.
Jogo de futebol
era com torcida misturada:
a vitória valendo euforia
e a derrota, só piada.

Dava-se valor à palavra empenhada.
Roubar era vergonha,
trair era roubada.
O trabalho era feito com vontade,
os amigos eram todos de verdade
e a gente se tratava pessoalmente;
quando muito, só telefonava.

Casamento quase sempre era pra sempre.
Honestidade era mais honra que virtude;
e a resposta para tudo era a verdade.
Havia espaço para o cavalheirismo,
apreciado pelas moças de então.
No amor era um por vez no coração.

Hoje em dia tudo isso ficou raro.
Virou tudo objeto de consumo.
A convivência geralmente é virtual
e tudo é caro,
desde o carro até o "chateau" no litoral.
O céu sem nuvem, sem estrela e sem azul,
o sol sem graça e sem calor
mesmo com o vilão temido,
o tal de aquecimento global.
E o resto a gente sabe como é:
todo mundo fugindo do destino.

Ai que saudades dos meus tempos de menino...

[Adhemar - São Paulo, 12/12/2011]

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