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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

RELEITURA

Repasse.
Palavras em revista.
Sentido!
Sanções ao desarrumado,
entendimentos;
ordem subversiva...

Sentido!
Palavras enfileiradas.
Perfilhamento esquadrejado.
Olhares distantes,
sentimentos contidos.
Marcha adiante,
palavras andando.

Distanciamento uniforme,
botas brilhando;
avanço tático sistematizado.
Batalha...!
Palavras guerreando,
palavras sucumbindo...

[Adhemar - São Paulo, 27/10/2011]

terça-feira, 29 de outubro de 2013

CARAMBA, QUE DIFÍCIL!


É tempo de tormentas e tempestades.
É tempo de contradições.
É tempo de desafiar heranças, princípios e lições.
É tempo de perder certas imunidades.
É tempo de inescapáveis tentações.
É tempo de se atravessar o deserto.
É tempo de contrariedades e reflexões.
Análises estruturais, costumes e tradições.
É tempo de canalizar os mais profundos desejos.
É tempo de encerrar a segunda fase e assumir novas missões.

[Adhemar - S. Paulo, 26/10/2005]

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

SENHORIO

A verdade é uma rude verdade
encoberta por transparência.
Apresenta uma certa inocência
mas oculta a sua vaidade.

A vontade se sente à vontade
pra chegar e sentar na varanda.
E nunca impede quem anda
de se desviar da maldade.

A saudade sente saudade
de ser nostalgia e patroa.
Ela vai estar numa boa
sempre entendendo quem sabe.

A metade divide metade
multiplicando ações no mercado.
Na alta todo mundo ao seu lado,
na baixa eles chegam mais tarde!

O assunto desvia do assunto
porque precisa se despedir.
Se a vida é chegar e sair?
Tudo bem, sou eu que pergunto...

[Adhemar - São Paulo, 28/01/2012]

domingo, 27 de outubro de 2013

ASSUNTO




Queria escrever um tratado,
tratar de um tema mais sério.
No entanto, e não sem mistério,
de modo bem-humorado.

Queria discorrer de um problema
e também discordar do óbvio.
No entanto, sem ser impróprio,
ser do absurdo um emblema.

Queria provar uma tese
ainda que fosse estranha;
e distorcê-la, sem manha
tornando o dogma em hipótese.

Ao redigir essa monografia
fosse me revelando um esteta;
desmascarando o poeta
provando que tudo é poesia…




[Adhemar - São Paulo, 21/05/2006]

LINHAS

"O compasso invisível traça arcos imaginários. A ponta fixa gira acompanhando a ponta que risca o mundo em pensamento e saudade. Do alto quase se vê esses arcos e ângulos diáfanos gerados pelo movimento da ponta móvel do instrumento. O mundo é o papel, o mapa do cartógrafo, do comandante do navio. É uma reprodução dos caminhos que se lê nas estrelas, que indicam e refletem a ponta do compasso que se mexe enquanto a ponta sêca apenas gira seguindo e olhando para onde vai você."
[Adhemar - São Paulo, 09/10/2007]
Pavilhão (no centro da foto) comercial em Barueri / SP - de uma grande empresa nacional que reformamos em 2002, interna e externamente, instalações, asfalto, guarita, paisagismo. Foi um intenso trabalho físico realizado em prazo muito curto, mas que deu uma enorme satisfação em fazer.
Adhemar - 08/04/2008.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

DESESPERO VELHO

"Quisera ter a coragem de outrora, 
sem pânico nem desconfiança. 
Quisera ser maior, mais abrangente, 
sem receio da queda ou decadência. 
Mas um pavor pouco a pouco se infunde. 
Uma indecência, uma insciência. 
É fraco, já, o coração e se confunde: 
razão, emoção ou consciência?"

"Pavor, paúra;

disposição só na lembrança. 
O espelho mostra a desfigurada feiúra, 
cabelos arrepiados e sem remorsos. 
Chegar impávido aos pés descalços da própria sepultura 
e, num adeus, fugir da morte, 
passos espertos, ou falsos."

"Ofegante, escondido e atalhado, 
no caminho do distante ir seguindo. 
Sem um mapa vai ficando atrapalhado; 
mesmo assim, nem voltando atrás, nem perseguindo 
um não sei quê, pra não sei onde. 
Lugar comum, monotonia."

"E sentado olhar a vida; 
passou tanto que amadurece o sentimento e o desencanto. 
Na memória, a lembrança mais querida 
desmaiada num baú, posta de canto. 
Fechar o livro, fechar os olhos 
e desiludir o próprio espanto. 
E acenar de longe, sem sorrir. 
Entrar na densa névoa do próximo compromisso."

"Viver como se deve é mais que isso."

[Adhemar - Sto. André, 16/03/2005]

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A LUTA

Um canto solitário para pensar na vida.
Outra encruzilhada após tanto esforço.
Outra bola dividida.
Muita apreensão e angústia, muito suor no rosto.
Um frio na espinha, uma dor de barriga.
Mais uma esquina da vida arbitrária.
Menos um mapa e uma intriga:
todo mundo indo pra lá, a gente na mão contrária.
Um produto pronto, projetado, acabado, pensado.
Uma idéia tonta, imutável até outra maior oferta.
Mais uma dúvida, fardo pesado.
Mais uma porta fechada que a gente não viu quando aberta.
Uma filosofia especialmente desenvolvida.
Mais uma justificativa, mais um escudo pra gente.
Outra razão reprimida,
muita apreensão e angústia, muita mágoa de repente.
Um canto solitário pra avaliar o fracasso.
Uma bobeira desalentada, nó desatado sem laço.
Outro tropeço num passo
e muita alegria otimista de um triste palhaço.

[Adhemar - Sto. André, 13/10/2008]

VIAGEM

"Imagem explorada. Exploração demasiada e sucessiva. De antemão, uma previsível e anunciada desanimação. Um enevoado e acumulado cansaço. O enigmático sorriso falsamente sustentado a custa de um certo sacrifício. O alto preço da celebridade, o desassossegado sucesso. A intimidade voando longe; cada vez mais curtos os momentos de solidão. O desejado isolamento, mais distante e mais difícil. Continuar acenando, mesmo que doam as mãos. Manter-se aprumado e altivo, saber-se senhor da situação distribuindo autógrafos enquanto vivo. E, morto de esgotamento, ser carregado nos braços da multidão."
[Adhemar - S.Paulo, 09/10/2007]
Retorno!
Esse registro foi feito a propósito de um ‘famoso’ que chegava de viagem e se queixava do excessivo assédio da mídia e dos fãs.
Adhemar, 04/04/2008.

domingo, 20 de outubro de 2013

MESMO ASSIM ATÉ

Do nada surgiram fragmentos,
estilhaços voando no vento.
Do nada emergiram palavras,
gritantes e sufocadas,
de alguma garganta arrancadas.
Do nada surgiram palavras,
qual nuvem de gafanhotos,
vorazes, astutos, marotos.
Do nada se aglomeraram,
formando gritos, não frases,
do nada surgiram capazes
de gritar, sufocar, afogar
uma torrente de lágrimas.
Do nada emergiram mágoas,
vorazes, audazes, metáforas.
Do nada surgiu a sorte,
voando no vento, consorte.
Do nada formaram-se teses
qual nuvem de gafanhotos
devorando palavras mil vezes.
Do nada - e são tantas palavras -
surgiram as dores precoces
e a paz perturbada da posse
do amor, sublime e dôce.
[Adhemar - Santo André, 21/08/2008]

CÉU ESTRELADO

Ritual de passagem, chiste espiritual. 
Impressão resumida, reunião informal.
Na poética, na didática, na informação social; 
uma estranha dialética, positivismo total.
Primitivismo premeditado, primária reação global. 
Um exame, uma performance, apresentação especial.
Bola no canto, golaço; e o grito primordial. 
Inaugurado o placar, implicância cordial.
Cordão, barbante, novelo, um panorama geral. 
Muito frio e muito gêlo fazendo uma glacial.
Uma noite, um luar, uma nuvem e um pedido especial: 
para a cadente estrela, pra além do bem e do mal.
Daí uma sonolência, uma nave espacial. 
E a vibração da galera na arquibancada e geral.
Cadeira, prego, notícia, TV, rádio e jornal. 
Muita fé, muita malícia, muito blá blá, coisa e tal.
Mão na mão, olhos nos olhos; tudo bem natural. 
Pensamento puro e o coração - igual.

[Adhemar - S.Paulo, 08/10/2007]

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

LÁGRIMA CALADA

O coração e suas óbvias razões.
O coração é um lugar bagunçado
tal qual a sala da festa
após esta ter terminado.
Poesia de gago.
O coração é um órgão tartamudo,
uma pequena amostra do mundo,
um menor abandonado.
Órgão viciado.
O coração é um piso, um abrigo,
uma rede estendida no chão,
u’a mão estendida a um amigo.
Um perdido.
O coração é um grito abafado,
um suspiro, um soluço cortado;
é um afago, um artigo raro.
Coitado.
O coração…
Às vezes é um casarão abandonado,
destruído, arruinado,
de onde o amor foi despejado…
[Adhemar - São Paulo, 17/04/2007]

COQUEIROS

Coqueiros do jardim do Atlântico, Ilhéus-BA, janeiro/2008.
ACHADO
"Entre tantos registros dispersos achei um espaço. Um espaço pulado por engano ou distração. Na distração, um abandono: o do espaço branco vazio, vazio de emoção. Na emoção, um espanto, um espasmo, um fantasma. Um fantasma das fantasias, alegorias burlescas, carnavalescas, impunes. Impune o coração, as ações na bolsa do amor. No amor, as verdadeiras razões do hiato, ato falho, paixão. Paixão pela vida, pela mulher tão ao lado, alado na comoção. E a comoção do momento, do intento sincero e fato. De fato, o imenso aborrecimento de encontrar na releitura esse espaço abandonado; abandonado em branco, como um vazio momento no tempo decurso de de vida. Da vida levando certezas, concluída na estranha toada do escriba que vez por outra se engana. Se engana mas retorna e reencontra um buraco onde cabe alguma emoção esquecida… Como esta folha em branco finalmente preenchida."
[Adhemar - S. Paulo, 16/02/2008]

sábado, 12 de outubro de 2013

DHYMA ANHÃ


[Adhemar - São Paulo, setembro/1981]

THÔ DODURO!


[Adhemar - Setembro/1981]
Cartunista de 1/2 tigela
Podia mais, esta idéia do sujeito o dia inteiro na mesma posição. Podia estar almoçando das 12:00 às 13:00, voltando pra casa após as 18:00, jantando e vendo TV antes de dormir. E podia aprender a desenhar, o dono do lápis… Coisa de criança… Aliás, Feliz Dia das Crianças e de N. Sra. Aparecida, padroeira deste imenso Brasil.
Adhemar, 12/10/2008.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

BANNERS

Eis abaixo as figuras que abriram este blog anteriormente. Estão ligadas a viagens; estas são momentos onde podemos renovar, ampliar, modificar e ou arejar nosso repertório. Este post é só pra guardá-las, recordar os momentos da alteração. Tenho a intenção de marcar cada nova mudança com um "post".



Imagem: Basílica de São Pedro; detalhe do anjo "pisando na bola" 
(foto: Adh2bs - abr/2013)
Figurou de 31/05 a 04/10/2013

Imagem: Museu Torres Garcia, Montevidéu; escultura-painel em ferro batido, no foyer do teatro homônimo que abriga o museu em homenagem ao artista plástico uruguaio, autor da obra
(foto: Adh2bs - jan/2011)
Presente no blog de 15/03/2012 a 31/05/2013 

Imagem: Aeroporto de Ilhéus 
(foto: Marco Luiz - jan/2008)
Abriu o blog em 08/01/2009 e ficou até 15/03/2012


O blog original iniciou em 24/03/2008, não tinha imagem na "capa". Aos poucos estamos trazendo o conteúdo de lá que não consta aqui. Além disso, novamente me desafio a escolher melhor o que mostrar...

Adhemar - 04/10/2013.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

EFEITOS

Sobre certa justiça
ou sobre incerto destino -
tome o expresso que leve
ao centro do que acontece.

Redes e teias no circo,
trapézios no zoológico - 
sobre toda justiça
ou sobre falto destino.

Sobressaltos no vácuo do tempo,
faltas a todo momento
tecendo as malhas desfeitas
dos malfeitos analógicos.

Acerca de toda justiça,
acima do falso destino.

[Adhemar - Santo André, 26/09/2013]