"Quisera ter a coragem de outrora,
sem pânico nem desconfiança.
Quisera ser maior, mais abrangente,
sem receio da queda ou decadência.
Mas um pavor pouco a pouco se infunde.
Uma indecência, uma insciência.
É fraco, já, o coração e se confunde:
razão, emoção ou consciência?"
"Pavor, paúra;
disposição só na lembrança.
disposição só na lembrança.
O espelho mostra a desfigurada feiúra,
cabelos arrepiados e sem remorsos.
Chegar impávido aos pés descalços da própria sepultura
e, num adeus, fugir da morte,
passos espertos, ou falsos."
"Ofegante, escondido e atalhado,
no caminho do distante ir seguindo.
Sem um mapa vai ficando atrapalhado;
mesmo assim, nem voltando atrás, nem perseguindo
um não sei quê, pra não sei onde.
Lugar comum, monotonia."
"E sentado olhar a vida;
passou tanto que amadurece o sentimento e o desencanto.
Na memória, a lembrança mais querida
desmaiada num baú, posta de canto.
Fechar o livro, fechar os olhos
e desiludir o próprio espanto.
E acenar de longe, sem sorrir.
Entrar na densa névoa do próximo compromisso."
"Viver como se deve é mais que isso."
[Adhemar - Sto. André, 16/03/2005]
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