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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CADEIRA

Na linha do limite da mesa
está uma pilha de livros.
Blocos de papel.
Anotações.
Na linha do limite da visão
estão todas as explicações.
Escrever
é o jeito de não esquecer,
de justificar
- ou ao menos tentar - 
uma existência de vagos sentidos,
de estranhas razões.
A linha do limite das decisões
que não se encontram nos livros,
nos blocos de papel
nem nas anotações.
O embarque de tantas histórias
nas plataformas de outras estações.
Matéria atraindo matéria
na proporção inversa das massas,
sabe-se lá por quais razões...
Na linha do limite da física,
sem muitas explicações.
Na linha do limite da história,
um horizonte de ilusões.
Poesia fora das linhas, 
calor fora dos verões...

Na linha do limite da mesa
há a cadeira e posições.
conforta pra pensar à frente,
casaco às costas
e outras divagações.
Prosa cheia de ritmo,
desenhos e projeções.
Nos limites do futuro,
linhas embaralhadas.
No conforto da cadeira,
ideias embaralhadas.
Na linha do limite dos pensamentos,
inúmeras soluções.
comidinha natureba,
feijoada e camarões.
No limite da linha da vara de pesca,
isca e variações.
Paris no meio da conversa,
Madri, Lisboa, aviões.
Viver o que vem pela frente
no limite da linha das emoções.
Mesmo afobado,
mesmo cheio de considerações.

Na linha do limite dos desafios,
uma mesa cheia de lições.
Os lápis estão num pote;
a inspiração, nos corações...

[Adhemar - São Paulo, 19/04/2012]

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