sábado, 28 de dezembro de 2013

CENA

Escutar a própria impassibilidade de braços cruzados.
Desdenhar a própria indiferença.
Relaxamento relapso.
Pose blasé.

Deitar os olhos sobranceiramente em domínios ignorados.
Assumir um fingimento.
Esquecido e afetado.
Representar uma indignação fajuta.
Falsificar no semblante um rubor,
um sentimento.
Interpretar feito um ator
numa cena de verdade.
Evidentemente, mentindo!
Aplicar uma ilusão,
se convencer
e fazer da pantomima um espetáculo.
Ou inverter.
E, assim que irromperem os aplausos,
sair descaradamente sem sequer agradecer...

[Adhemar - São Paulo, 24/09/2011]

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