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sábado, 4 de janeiro de 2014

RECIPROCIDADE

"Quando a situação parecer ambígua, houver duas hipóteses possíveis aparentemente antagônicas, escreva bem devagar. É para dar tempo de pensar entre duas palavras ou, a cada letra, para que a frase se desenvolva coerente e conclusiva. O próprio papel refletirá o caminho a seguir. Cada traço, cada curva de cada caractere escrito dará uma pista para que o assunto se descubra, se revele e se fixe."
"Após o período introdutório - normalmente o mais difícil - o assunto segue seu curso sem dar margem a respostas para eventuais indagações. Esse segundo trecho cria uma espécie de fixação pelo tema, apresentando mais desafios do que soluções. Outras dúvidas surgirão para múltiplas respostas possíveis. Aí é que o texto ganha corpo, vida e independência. Porque a gente perde o controle e não pode mais alinhar palavras a esmo, sob pena de estragar o início promissor. Nesse ponto é que o recheio do texto precisa introduzir uma expectativa no leitor. Na continuidade desse desenvolvimento, a expectativa deve se tornar uma verdadeira ansiedade, quase que um pequeno terror. O leitor deve se perguntar: - Onde é que isto vai dar?!"
"Para finalizar, com o leitor quase em transe, o escrito deve iniciar o desenlace, o ‘gran finale’ sem, no entanto, se deixar adivinhar ou perceber. É outra das partes difíceis, normalmente cada um tem um método peculiar de encarar esse momento, sem contar a ansiedade do próprio autor. E cada sílaba deve ser pronunciada a meia-voz, cada passo deve ser medido e calculado para o enorme sorriso de satisfação do cliente ou para a queima do livro…"
[Adhemar - S. Paulo, 21/05/2006]
Diz aí…
Chegou até aqui? Então? Funcionou?!
Adhemar, 23/04/2008.

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