domingo, 16 de março de 2014

VERSÓRIA

Embriagado por inebriante perfume 
que não existe mais
Evocado pela memória
Evolado por saudade
Equivocado pela ausência de ciúme

Tanta dor já é demais
Física, real e da história
respirando com dificuldade
afogada numa lágrima magoada
desconectada do que o sentimento faz

Antes fosse peremptória
esta lembrança e sua crueldade
que fere esta alma torturada
no mais fundo de sua prisão
onde foi encarcerada de forma compulsória

Embriagado pela adversidade
mantém olhos calados, boca fechada
Quem sabe assim escuta o coração
ou aprende a evitar a emboscada
o rancor e a maldade

Embotado, com a alma tão cansada
simplesmente deita-se no chão
Sente a dureza da pedra gelada
e não é pior do que a velocidade
da dor pungente e embaçada

Determinado, finalmente junta as mãos
em torno de uma corda desfiada
ainda resistente, pela idade
fortemente nas grades amarradas;
e ele arranca a janela da prisão!


[Adhemar - São Paulo, 02/11/2013]


VERSÓRIA
(subst. fem. Náut. Ant.)

Cabo ou corda, para fazer voltar a vela.

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