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segunda-feira, 26 de maio de 2014

SUBSTITUIÇÃO

Por onde anda o balanço
do amor indelicado
mas fiel além de bruto?
Há uma estrada de poeira
e um ar seco absoluto;
pontes feitas de madeira,
paisagens feitas de espanto.
O chá, um tanto atrasado,
água quente na chaleira...

Por onde anda esse tanto
do amor tão dedicado,
do mar em verde manto,
do marinheiro astuto?
Um dia feito comandante,
capitão, pirata de fato,
dos peixes de sua rede,
dos saques de tanta prata;
do grande tesouro enterrado
embaixo do xis do mapa.

Por onde anda esse tonto
do amor inocente,
principiante e cadente?
Estrela cheia de brilho,
versos cheios de flores
com bombons e palavras;
mas essa porta é enorme,
maciça pesada e fechada
em que se bate co'aldrava...

Por onde anda esse canto
do amor apaixonado,
da amada sempre ausente,
do verso indeterminado,
do vaso quebrado em pedaços;
do arrependimento presente,
das más palavras gritadas,
do choro em lágrima silente,
da lágrima do choro contente...?

Por onde anda o amor pra sempre?

[Adhemar - Madri, 17/04/2014]

Palazzo Medici, Firenze (fotos: Adh2bs)


Palazzo Vecchio, Firenze (fotos: SM)


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