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segunda-feira, 30 de junho de 2014

BALANÇO

A gente cresce, pensa que aprende.
A gente aprende, pensa que é gente.
A gente… A gente pensa que pensa,
se desenvolve, fica malandro,
mas tão malandro que se diz experiente.
Finge frieza nas surpresas,
finge surpresa nas puerilidades.
Nossa macheza viril
é nossa fingida fraqueza,
lágrima comovida de uma alegre tristeza.
Quando se pega já velho,
na saúde e na doença,
acha que viveu o suficiente
no pecado e na indiferença
e pede perdão a Deus.
E pede que Ele quebre um galho,
que olhe com benevolência
os nossos tantos malfeitos.
E cruza os braços e espera
o céu como recompensa.
A gente é mesmo tão cínico…
Cínico, sem-vergonha e sacana!
Sem covardia, atrevidos
e em oração comovida, tementes!
A gente é mesmo bacana…
[Adhemar - S. Paulo, 18/01/2000]

terça-feira, 24 de junho de 2014

"MALVÉOLO"

Quando foi que as mentiras começaram a se espalhar?
Quando foi que afetaram a verdade?
Tantos por quês a explicar...
Mas a maldição da inverdade invadiu o espaço,
esculpiu sua ira,
envenenou todos em volta.
Quando foi que a mentira cuspiu sua face?
Quando foi que sua máscara caiu?
A perdição da intriga é sua briga abalada.
É sua pira apagada,
é sua morte no embate.
Quando foi que a inveja invadiu sua arte?
Quando foi que o vermelho fluiu?
Um sangue perdido das veias,
das ameias, dos combates.
De braços confortes...

Quando foi que sua ponte ruiu?

[Adhemar  - Florença, 12/04/2014]


Capela Médici (foto: SM)

Rua de Florença (foto: SM)

 Porta do Paraíso, de Lorenzo Ghiberti (foto: SM)

Pietá de Florença - Michelângelo (foto: SM)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

FAMÍLIA

Deus, generoso comigo, proporcionou-me alegrias:
esposa amorosa e dedicada,
três filhos lindos,
educados e inteligentes.
Deus, o melhor dos meus melhores amigos,
atribuiu-me tarefas macias:
responsabilidade firme e adocicada,
um tempo infindo,
raciocínios presentes.
No dia-a-dia me intrigo
com o desenvolvimento das crias,
infância pura e atirada,
sempre crescendo alegres e sorridentes.
Vamos seguindo unidos,
rezando, lutando e brincando todos os dias.
Relações de amizade aprofundada,
fortalecendo nossos laços ternos pra sempre.
[Adhemar - 01/06/2000]
Meus três amigos lá de casa.
Adhemar, 23/06/2008.

sábado, 21 de junho de 2014

SATISFAÇÕES AO PATRÃO (2)

Bom. 

Estamos num trem, à toda velocodade, indo de Milão a Florença. Folclore: na Estação Central de Milão ficamos conversando com um casal italiano que fora visitar a filha em Davos. Entendemos-nos no nosso péssimo italiano e no inglês macarrônico deles. Eles falaram das mazelas da Itália, em termos políticos, algo de que, por nosso lado, não podemos nos gabar. E nos separamos do casal entre muitas risadas e votos de boa viagem; eles para Perugia e depois para a cidade deles da qual não lembro o nome, mas que fica nas montanhas e sobre o chão da qual pairam ao menos 10 cm de neve, no verão! Conforme nos contaram...

O saldo da visita a Milão, profissionalmente, foi bom. Perfizemos o roteiro que era necessário na Fiera dei Mobile e Design, Eurocuccina e Salone dei Bagno. Fora dela, passagens pelas regiões da Tortona e Brera que nos deixaram a forte impressão de que os eventos de arte vão dando lugar ao comércio e ao marketing puro e simples, substituindo o que antes era patrocínio a novos artistas.

Deixamos a cidade novamente sem conseguir ver a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci. Recomendaram-nos reservar ou agendar visita com noventa dias de antecedência. Outras visitas ou passeios culturais não couberam no roteiro, dada a exiguidade dos dias que destinamos a Milão. Estivemos a serviço (?) no City Life, que era o antigo parque onde se realizava a Feira de Mobiliário e Design que está dando lugar a esse complexo moderno de prédios residenciais e comerciais projetados pela arquiteta iraquiana Zara Hadid e pelo arquiteto polonês Daniel Liebeskind. Formam um contraste com a aparência clássica dos imóveis no entorno e os apartamentos custam entre 16 e 20 mil euros por metro quadrado de área construída! Os projetos são lindos, a distribuição interna dos apartamentos é um pouco diferente, alguns ambientes são pequenos para os nossos tipos de habitação, no Brasil. Valeu a visita pela leitura que se pode fazer de uma "nova" arquitetura dentro de uma cidade "clássica".

Percalços de viagem: em Milão, fomos ludibriados duas vezes. A primeira, comprando bilhetes do metrô numa máquina; o sujeito (que apesar da aparência "nada a ver" se identificou como funcionário da companhia de trens) chegou solícito pra ajudar, nos atrapalhou: queríamos comprar bilhetes múltiplos, mas ele, insistente (apesar de nossas recusas) e agressivo, digitou bilhetes simples, arrancou a nota de vinte euros da minha mão, cancelou a operação na máquina e nos levou a uma bilheteria onde, furando a enorme fila, nos deu três bilhetes de 1,50 e mais 10 euros de troco. Embolsou os euros restantes dizendo que eram para comer e se mandou. Fiquei com a forte impressão de que o bilheteiro também reteve sua "taxa de entrega" dentre os 5,50 que nos foram tungados. Da outra vez, num restaurante próximo à Duomo, o garçon nos empurrou seis entradas dizendo que eram duas e mais um prato de carne, caríssimo. O vinho que ele recomendou também era muito caro. O serviço foi péssimo, a comida demorou muito acima do tolerável para chegar à mesa. Desta vez o prejuízo foi bem maior do que no metrô, atenuado por não termos pago o serviço. Só não brigamos mais porque fomos concordando com a patranhada, só nos dando conta no final... Acabou sendo nossa "estréia" em matéria de passa-moleque em viagens...

As expectativas para Florença: já estivemos lá, de passagem, vimos a cidade de seu ponto mais alto em poucas horas. Vamos ver se quatro dias bastam para dois arquitetos poderem apreciá-la com a devida magnitude...!

[Adhemar - Milão/Bolonha, 12/04/2014]

Circulação entre os pavilhões da Fieramilano (foto: SM)

Alguns ambientes visitados na Feira de Mobiliário (fotos: SM)


Eletrodoméstico "tudo em um" (foto: SM)
Quando fechado parece uma grande coluna (hermética) amarela, só com o painel decorativo (com plantinhas) aparente. De baixo pra cima:

- refrigerador
- fogão elétrico
- mesas de apoio (2)
- lava-louça
- forno elétrico
- exaustor

Será que é prático...?

Apartamentos do City Life (fotos: SM)









quinta-feira, 19 de junho de 2014

QUASE

De tudo ao meu amor já dei um pouco,
antes com tal zelo, agora ou nunca!
Ora posto a gritar, mais do que rouco
pra te botar porta afora da espelunca.
E se a chama transformar-se num incêndio;
e a coceira te levar ao desespero,
é um soneto a fazer parte dum compêndio
dando à vida algum sabor, algum tempero.
Quem sabe mais tarde a gente pega um cinema,
ou vai à praia de manhã e pega um bronze,
encafifado em matemático problema:
que o poeta é maluco, se vê longe!
Se vai contra ou adere ao sistema,
no futebol jogam onze contra onze!!!
[Adhemar - S. Paulo, 21/08/2006]
Ai!
O soneto é uma das formas mais legais de poesia… Mas parodiar Vinícius de Morais, ainda por cima bancando o engraçadinho, é de um atrevimento escandaloso!
Adhemar, 12/04/2008.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O2!

Mais azul pra cima
mais olhar profundidade
perder-se nos caminhos da cidade
em seus encantos e seu clima

Variações, desvios e atalhos
atrações inesperadas, tentadoras
São esquinas e vielas sedutoras
em peças inteiras, ou retalhos

Avenidas, praças e passeios
com vários contornos interessantes
com faíscas e reflexos brilhantes
que encantam nas bordas e nos meios

Beleza, encanto e sedução
em todos os lugares e no ar
para confundir e alimentar
esperança e imaginação...

[Adhemar - Milão, 12/04/2014]

Mais azul pra cima (foto: SM)

Mais azul pra cima (foto: Adh2bs)

Jardins Casa Atelani - Milão (fotos: SM)


Esquinas de Milão (fotos: Adh2bs)


Piazza Virgílio Públio Maroni - Milão (foto: Adh2bs)

domingo, 15 de junho de 2014

LANÇAMENTO

Corra.
O companheiro está com a bola.
Você pode fazer o gol.
Corra.
O tempo não te espera
e o ônibus passou.
Corra.
O amor já desespera,
o coração se lamentou.
Corra.
Pegue seu lugar na fila,
o filme já começou.
Corra.
A fome é uma megera
mas a comida acabou.
Corra…
Dos seus credores
se o seu dinheiro acabou!
Corra…
Pro seu trabalho,
a sineta já tocou!
Corra…
Da “magra” e se esconda,
que o “Pedrão” já te chamou!!!

[Adhemar - São Paulo, 30/05/2006]

sábado, 14 de junho de 2014

MÍNIMA-LISTA

Proposta reducionista
pouco por muito
nada por pouco

O silêncio no lugar da palavra

o vazio no lugar do silêncio
o nada no lugar do vazio

Por lar só o chão

Andar
O chão está posto pra deitar
pra comer
pra amar

A liberdade de não amarrar


A chuva para beber

para embeber
para banhar e batizar
molhar, benzer
purificar

O ar pra alimentar

com a luz do azul
Sol pra aquecer
amor pra distribuir...

[Adhemar - Milão, 12/04/2014]

Luz do azul em Milão (foto: Adh2bs)

Entardecer em Florença (foto: Adh2bs)

Luz da manhã em Florença (foto: SM)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

OUTRO PROJETO


Projeto de casas sobrepostas em São Bernardo do Campo. O terreno era pequeno, mas coube a garagem e quatro apartamentos. Feito na construtora Tramil há uns três anos, não chegou a ser construído porque o proprietário vendeu o terreno (onde havia um grande sobrado que já havia sido nossa sede).
Adhemar, 13/06/2008.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

GIRO

Caleidoscópio, espirais, funil.
Túnel.
Profundidade inescrutável.
Pontas invisíveis, "afinais".
Colossos monumentais.

Abismo, espaço, universo.

Infinito.
Profundidade inimaginável.
Portas permeáveis, abissais,
fossos descomunais.

Voo mergulhado,

mergulho voado...

Neblina, névoa, nuvens;

nublado.
Um "aqui" infinitamente apertado,
passos cegos,
incerto ilimitado.

Escuridão, invisibilidade, negrume.

Queda.
Falta de luz, de lume.
Labirinto sem fim,
caminho desviado.

Ida sem volta,

só revirado...

[Adhemar - Milão, 11/04/2014]

Via Fabio Filzi, Milão (foto: SM)

Via Croce Rossa, Milão (foto: SM)

Prédios - Milão (foto: Adh2bs)


terça-feira, 10 de junho de 2014

PERFUME

"Já nem vejo o que se passa lá fora, 
o movimento dos astros, as marés... 
Só teu reflexo domina a cena 
e acena no horizonte, no ontem, 
na linha dos olhos, dos lábios, das mãos."

"No centro do quadro, 
no ponto de fuga da visão, 
uma estrela, um cometa e um sorriso. 
Um sonho aconchegante, uma tentação. 
É difícil, admito, qualquer conciliação. 
Perder o controle, o respeito e a consideração."

"Já nem vejo o futuro, o agora, o impossível. 
Nem o pecado, a entrega, 
o amor e a paixão. 
Já não ouço nem respiro 
teu reflexo embaçado na escuridão."

[Adhemar - S. Caetano do Sul, 10/05/2005]

domingo, 8 de junho de 2014

"UP" GRADES

Uma paixão,
de estrutura flexível,
no estreito limite da visão.
Um verso refeito,
um efeito invisível.

Cortinas pretas 
emolduram o palco
estendido assim feito um balcão.
Um acerto no alvo,
um ninho para o falcão.

Ousadia, 
charme e beleza;
as três dando a mão.
O acaso, ajudando a natureza,
às vezes não.

Fazer do mundo todo
a própria casa;
mesmo conforme,
não será o encalhe em água rasa
um codinome...

Tantas voltas,
para uma simples conclusão.
Portas vão abertas, 
vão fechadas,
passar por elas é mais uma posição...

[Adhemar - Milão, 10/04/2014]

Interior dos apartamentos no City Life - Milão (fotos:SM)




quinta-feira, 5 de junho de 2014

CHARADA!


          Do mais arguto observador ao mais ilustre matemático; não se deixem enganar pelas aparências. A chave está na simplicidade do raciocínio, na conclusão mais límpida e mais óbvia.

           Um homem entra num bar portando um rato - um camundongo - no bolso da camisa. Chega até o balcão e pede duas pingas. Bebe a primeira e, ato contínuo, dá a segunda ao rato, que a bebe numa talagada só. Pede mais duas pingas, bebe uma delas e dá a outra ao rato; pede mais duas… E passam nisto a noite toda, até ficarem completamente embriagados. O homem paga a conta e sai cambaleando, enquanto o rato canta alto, desafinado.
PERGUNTA: aonde é que está o GATO?
[Adhemar - S. Paulo, 17/04/2007]
Charada baseada numa velha anedota, cujo final é o homem batendo no balcão e clamando por um oponente para brigar enquanto o camundongo berra a plenos pulmões: "chama o gato da casa que hoje vai ter!"
Talvez a mensagem oculta seja o quanto as libações etílicas deixam os bebedores contumazes muito valentes, à beira da insensatez. Mas o fato é que imaginei um final diferente para caracterizar a charada cujo desfecho é pra lá de infame (relatado no primeiro comentário, abaixo). Mas tentem decifrá-la antes e, pelo amor de Deus, controlem-se pra não me bater…
Adhemar - 01/06/2008.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ENTROSAMENTO

Ando agarrado a uma ideia fixa,
num vale profundo
entre duas colinas suaves.
Por lá nadam os peixes
e voam as aves.
Lugar muito deste mundo
e nada de coisas graves.

Ando agarrado - e com coragem - 
numa ideia fixa e agradável.
Ideia que tem pernas próprias,
uma viagem.
Vai-se longe estando perto
despertando vertigem...

Ando agarrado a uma ideia escusa
inquieta, irresponsável;
que se fecha e se arrepia
numa permissividade provável.
Não é uma ideia pura
mas é condenável,
reclusa,
publicamente exclusiva
mas por certo muito explosiva...


[Adhemar - Milão, 10/04/2014]


Exposição Hermès, Milão (foto: SM)

Cúpula da Duomo (Sta Maria Del Fiore), Florença (foto: SM)

Acesso ao Museu Ferragamo, Florença (foto: SM)

domingo, 1 de junho de 2014

PARADA 51

É.

Meio século mais um. Não vou dizer que parece que nasci ontem. Tampouco parece que faz mais. Acontece que me veio a sensação de ter vivido ano por ano - dos que eu me lembro - no ritmo certo. Houveram alguns ruins mas a maioria absoluta foram muito bons: divertidos, cheios de história pra contar e realizações bacanas.

Meio século mais um. Tá certo que faltou fazer algumas coisas, melhorar o modo como foram feitas outras; mas isso fica pra frente, a título de metas ou lições. E o grande presente de hoje é o próprio presente, com suas alegrias e limitações. Peço a Deus me permitir muita fibra e a cabeça erguida pra não perder de vista objetivos e intenções; intenções de ser melhor a cada dia, como ser humano efetivo e discreto.

Meio século mais um. Parece muito mas tá bom. Espero merecer outro tanto...


[Adhemar - São Paulo, 01/06/2014]


Parada 41

Parabéns ao meu primo Nelsinho, grande tricolor, que teve a honra de nascer neste 1º de junho, exatos dez anos depois que eu. Tomo uma foto da sua irmã Andrea (licença, prima!) para colocá-la aqui.

Grande abraço, turista!

Adhemar, 1º/06/2014.

Nelsinho (41) e Andrea (foto: Dul Carvalho, presumivelmente...)

Stella e Adhemar (51) [foto: SM]