segunda-feira, 30 de junho de 2014

BALANÇO

A gente cresce, pensa que aprende.
A gente aprende, pensa que é gente.
A gente… A gente pensa que pensa,
se desenvolve, fica malandro,
mas tão malandro que se diz experiente.
Finge frieza nas surpresas,
finge surpresa nas puerilidades.
Nossa macheza viril
é nossa fingida fraqueza,
lágrima comovida de uma alegre tristeza.
Quando se pega já velho,
na saúde e na doença,
acha que viveu o suficiente
no pecado e na indiferença
e pede perdão a Deus.
E pede que Ele quebre um galho,
que olhe com benevolência
os nossos tantos malfeitos.
E cruza os braços e espera
o céu como recompensa.
A gente é mesmo tão cínico…
Cínico, sem-vergonha e sacana!
Sem covardia, atrevidos
e em oração comovida, tementes!
A gente é mesmo bacana…
[Adhemar - S. Paulo, 18/01/2000]

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