sábado, 21 de junho de 2014

SATISFAÇÕES AO PATRÃO (2)

Bom. 

Estamos num trem, à toda velocodade, indo de Milão a Florença. Folclore: na Estação Central de Milão ficamos conversando com um casal italiano que fora visitar a filha em Davos. Entendemos-nos no nosso péssimo italiano e no inglês macarrônico deles. Eles falaram das mazelas da Itália, em termos políticos, algo de que, por nosso lado, não podemos nos gabar. E nos separamos do casal entre muitas risadas e votos de boa viagem; eles para Perugia e depois para a cidade deles da qual não lembro o nome, mas que fica nas montanhas e sobre o chão da qual pairam ao menos 10 cm de neve, no verão! Conforme nos contaram...

O saldo da visita a Milão, profissionalmente, foi bom. Perfizemos o roteiro que era necessário na Fiera dei Mobile e Design, Eurocuccina e Salone dei Bagno. Fora dela, passagens pelas regiões da Tortona e Brera que nos deixaram a forte impressão de que os eventos de arte vão dando lugar ao comércio e ao marketing puro e simples, substituindo o que antes era patrocínio a novos artistas.

Deixamos a cidade novamente sem conseguir ver a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci. Recomendaram-nos reservar ou agendar visita com noventa dias de antecedência. Outras visitas ou passeios culturais não couberam no roteiro, dada a exiguidade dos dias que destinamos a Milão. Estivemos a serviço (?) no City Life, que era o antigo parque onde se realizava a Feira de Mobiliário e Design que está dando lugar a esse complexo moderno de prédios residenciais e comerciais projetados pela arquiteta iraquiana Zara Hadid e pelo arquiteto polonês Daniel Liebeskind. Formam um contraste com a aparência clássica dos imóveis no entorno e os apartamentos custam entre 16 e 20 mil euros por metro quadrado de área construída! Os projetos são lindos, a distribuição interna dos apartamentos é um pouco diferente, alguns ambientes são pequenos para os nossos tipos de habitação, no Brasil. Valeu a visita pela leitura que se pode fazer de uma "nova" arquitetura dentro de uma cidade "clássica".

Percalços de viagem: em Milão, fomos ludibriados duas vezes. A primeira, comprando bilhetes do metrô numa máquina; o sujeito (que apesar da aparência "nada a ver" se identificou como funcionário da companhia de trens) chegou solícito pra ajudar, nos atrapalhou: queríamos comprar bilhetes múltiplos, mas ele, insistente (apesar de nossas recusas) e agressivo, digitou bilhetes simples, arrancou a nota de vinte euros da minha mão, cancelou a operação na máquina e nos levou a uma bilheteria onde, furando a enorme fila, nos deu três bilhetes de 1,50 e mais 10 euros de troco. Embolsou os euros restantes dizendo que eram para comer e se mandou. Fiquei com a forte impressão de que o bilheteiro também reteve sua "taxa de entrega" dentre os 5,50 que nos foram tungados. Da outra vez, num restaurante próximo à Duomo, o garçon nos empurrou seis entradas dizendo que eram duas e mais um prato de carne, caríssimo. O vinho que ele recomendou também era muito caro. O serviço foi péssimo, a comida demorou muito acima do tolerável para chegar à mesa. Desta vez o prejuízo foi bem maior do que no metrô, atenuado por não termos pago o serviço. Só não brigamos mais porque fomos concordando com a patranhada, só nos dando conta no final... Acabou sendo nossa "estréia" em matéria de passa-moleque em viagens...

As expectativas para Florença: já estivemos lá, de passagem, vimos a cidade de seu ponto mais alto em poucas horas. Vamos ver se quatro dias bastam para dois arquitetos poderem apreciá-la com a devida magnitude...!

[Adhemar - Milão/Bolonha, 12/04/2014]

Circulação entre os pavilhões da Fieramilano (foto: SM)

Alguns ambientes visitados na Feira de Mobiliário (fotos: SM)


Eletrodoméstico "tudo em um" (foto: SM)
Quando fechado parece uma grande coluna (hermética) amarela, só com o painel decorativo (com plantinhas) aparente. De baixo pra cima:

- refrigerador
- fogão elétrico
- mesas de apoio (2)
- lava-louça
- forno elétrico
- exaustor

Será que é prático...?

Apartamentos do City Life (fotos: SM)









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