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domingo, 7 de setembro de 2014

CAMPEONATO DE POTOCA (10)

NÓS, FORMIGAS
"Oi, gente! vim aqui gravar este depoimento, pois todo mundo pensa que nossa vida é uma fabulazinha aí. Desculpem esse jeito meio despachado de falar mas, como outras colegas, estou de saco meio cheio dessas histórias da carochinha, do Esopo, do La Fontaine e sei lá mais quem. Porque ‘fulano é uma formiguinha pra trabalhar’… Somos citadas como exemplo; porém, virou e mexeu tão jogando formicida na gente, pisando na gente, atrapalhando nosso caminho e desmanchando o formigueiro! Ora essa! Hipocrisia tem hora! Ademais, não somos tão fanáticas pelo trabalho, assim como vocês pensam, isso é ignorância dos seres humanos. A gente faz o suficiente pra sobreviver, com inteligência e cooperação. Nosso segredo é ser… Aos milhões! Milhões e milhões de formigas em cada formigueiro. Fossem vocês mais atentos e iriam reparar que, sumiu um montão de nós, outro tanto aparece. Trabalhamos por turnos e, sendo tão parecidas umas com as outras, damos impressão de um trabalho contínuo, incessante e incansável. Pura contra-informação! Também temos nossas colonias de férias, apart-hotéis, disneylândia e ‘otras cositas mas’. Somos sim, persistentes, inteligentes, tenazes e obstinadas; objetivos traçados são para serem atingidos. Somos socialistas no sentido mais puro da palavra, todas trabalham por todas. Agora me dão licença, que minha folga acabou."
[Adhemar - São Paulo, 25/04/2001]
ELAS, FORMIGAS
Meu irmão biólogo costuma dizer que, em São Paulo, só há dois tipos de casas: as que têm formigas e as que ainda vão ter. A minha situa-se na primeira categoria. Como na infância, gosto de observá-las ir e vir pelos diferentes cômodos da casa, entrar e sair pelos buracos das paredes (nesse quesito, minha casa se assemelha a uma tapera - casa de arquiteto, espeto de pau…). Convivemos pacificamente até um determinado ponto, porquê, exceto por baratas, ratos e mosquitos, sou daqueles que evita matar qualquer coisa viva a qualquer custo. Porém, confesso que, ultimamente, a situação ficou grave porque elas estavam praticamente nos despejando de casa, então, fui obrigado a apelar: estamos em guerra aberta e declarada (por isso descobri que não eram as mesmas que voltavam, eram outras!). Com grande vergonha, reconheço que estou utilizando artifícios torpes, armadilhas covardes e agredindo-as pelas costas, com pisões, pancadas à feixe de jornal, formicidas injetados nos desvãos, tamponando fendas com sabão. Apesar de saber que a natureza sempre vence, minha ofensiva estabeleceu certa vantagem sobre elas.
Em tempo: quando escrevi o texto "Nós, formigas", morava em outra casa, situada em frente à praça Mario Autuori. Só pra constar, esse Sr. era um biólogo especializado em estudar… formigas!
Adhemar, 24/08/2008.

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por isa — segunda-feira, 25 de agosto de 2008 (09:10:18)
Adorei a analogia…
Bom dia… ótima semana
Bjokas
Isa

Comentário por Alexandre Souza — sábado, 30 de agosto de 2008 (13:23:22)
QuáQuáQuáQuá!
É isto que adoro em vc! Esta veia humorística permanente. Mesmo nas situações mais tristes há um pitaco de bom humor a ser transbordado. Não há momento sério que perdure a sua presença!
Vou te entregar aos frequentadores do blog Adhemar! Até em velório este rapaz desfila este bom-humor, sempre com respeito e bem colocado. A sua companhia é um alívio as preocupações do dia-a-dia!
Produza mais destes (ou crie outro blog - “O humor nosso de cada dia nos dai hoje!”) textos!!! Está aí dentro de vc, é só deixar aflorar.
Abração “m’ermão”