quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CAMPEONATO DE POTOCA (13)

O Bêbado
Segurando o chapéu com as duas mãos ia se equilibrando sobre seus únicos pés. Arriscou olhar para baixo e, bem, achou injusto a natureza ter dotado o homem com apenas dois pés embora julgasse ter visto mais.
Apoiou mal o pé sobre a guia da calçada e projetou-se pelo meio da rua, porém, sem cair. Lamentou não ter um limpador de pára-brisa para sua vista embaçada. Pé direito para a esquerda, o esquerdo para a direita, parada súbita, arrancada, passos rápidos retrocedendo às vezes, sempre pelo meio da rua, altas horas da madrugada. Seu pensamento voava. Em tantos anos, nunca sentira a terra tremer tanto. Franzia o sobrecenho, cambaleava, de repente uma diagonal violenta. Abraçou-se a um poste. Achou que conhecia o lugar. Trôpego, foi até uma porta. Após ter um certo trabalho para imobilizá-la conseguiu abri-la. De súbito, uma luz forte no seu rosto. Uma fisionomia vagamente conhecida estava postada à sua frente.
- "A estas horas, hein?! E nesse estado?! Sim senhor!!!"
Nauseado, ousou retrucar:
- "Querida, onde posso deixar uns dois pedaços de torta e uns três litros de cachaça?"
Acabou deixando ali mesmo após tomar uma tremenda sova…
[Adhemar - S. Paulo, junho/1981]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por tah — domingo, 14 de setembro de 2008 (14:50:36)
Muito boooom!!!!
aliás, obrigada pelo carinho em meu blog!!
bjão