quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CONEXÕES

Chegadas e partidas, laços estabelecidos, vínculos perenes.
Marinheiros, saudades.
Aviões, proximidades.
Balões e intimidades.
Cada passo já é uma viagem.
Através de nós mesmos,
para além dos aleijados, dos enfermos,
para além do presente, da bagagem.
A própria imobilidade é viajante,
apenas os lugares vêm a nós.
Sem gastos de energia nem contras e prós,
a imaginação vai bem distante.
Palavras e livros são lugares
tão inatingíveis ao alcance;
os olhos acompanham cada lance
de lamentos, de caretas e esgares.
Enfim é uma viagem a própria vida,
deste mundo somos meros passageiros.
Sem cinto, sem cigarros nem cinzeiros,
provando tudo e nada, quem duvida?
Chegamos nesta excursão já despojados,
nossa mala coletamos nos caminhos
nem tão suaves nem tão cheios de espinhos
contornando os pontos mais dificultosos.
Adeuses e olás todos os dias.
Abraços e acenos a cada instante.
Do ponto mais próximo ao mais distante
vamos caminhando em companhias.
Caminhando ao acaso, sabor da sorte.
Nervosos, atiçados ou sem nada que inflame.
Vamos soltos, sem roteiro, até que Deus nos chame
para a última das viagens que é a morte.
[Adhemar - S. Paulo, 01/06/2000]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por isa — quinta-feira, 12 de junho de 2008 (18:18:05)
É como diz Milton Nascimento:
“…São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida”

Comentário por Alexandre Souza — segunda-feira, 16 de junho de 2008 (19:15:32)
Já chegaste a idade das certezas, homem. Talvez se posiciones melhor sem usar “nem isso, nem aquilo” ou “nem tão isso, nem tão aquilo”.