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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

EMPRESA

Na minha solidão vadia, tranquei meu peito.
No olhar, ao enfrentar severo espelho,
na desilusão do que espero,
tento convencer-me do que não foi feito.
Nas intenções de minhas mãos, certo mau jeito.
Observo-as atento, tentando entender o intento.
Artelhos ou falanges, sei lá, apenas sou sincero
e encaro o fato de não realizar nada direito.
Ao toque mágico da ponta de um dedo com defeito
há uma luz estranha emitindo um fulgor centelho.
Ofusca a vista e desvia o rumo de um caminho austero.
Passada a luz, fica na vista um turvar de efeito.
A cada tropeço ou engano, menos recepção há no meu leito.
Sem ter onde esconder as mágoas que retenho,
me transformo no monstrengo a que chamam desespero.
E, sem nenhum conselheiro, choro; até meu travesseiro é suspeito.
Em mais uma luta eu me meto e empreito.
Com a força e a coragem e a razão e o empenho.
"Alea jacta est" eu repito pra mim mesmo e acelero,
no meu caminho rumo ao atalho que é o destino que eu aceito!
[Adhemar - São Paulo, 29/12/1987]

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