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domingo, 7 de setembro de 2014

ENTREGAS "DELIVERY"

Na infância, nunca chegava a hora de dirigir;
aos dez anos achava que,
quando fizesse dezoito,
os carros iriam voar.
Na infância, não entendia as mulheres;
as de casa,
sempre mandonas,
tentando me teleguiar.
Na infância, não entendia os mais velhos,
de tantos discursos prontos;
mas o mundo feito por eles,
naquela mesma merda de sempre
e ainda tinham que trabalhar!
Na infância, não entendia os estranhos;
soturnos e mal encarados,
que não sabiam amar.
Adolescente, não via a hora de dirigir.
Se alguém se dispusesse a ensinar…
Adolescente, não entendia as mulheres;
interessantes ou feias
que se recusavam amar…
Adolescente, não entendia as crianças
e suas teimosas manias:
desobedecer e brincar.
Adolescente, não entendia os estranhos
de estranho comportamento
para a bebida excessiva e se drogar.
Mocinho, não via a hora de dirigir;
se o pai,
sem a gente pedir,
se dispusesse o carro emprestar…
Mocinho, não entendia as mulheres.
A maioria esquivando-se,
recusando-se a namorar…
Mocinho, não entendia os adolescentes
que só queriam saber de música:
tocar, dançar e cantar.
Mocinho, não entendia os estranhos
que, muito gananciosos,
só queriam ganhar…
Adulto, não via a hora de dirigir;
o meu próprio carro…
Ah! Se eu o pudesse comprar…
Adulto, não entendia as mulheres,
que em vez de curtir e zanzar
só queriam… Casar!
Adulto, não entendia os velhos,
se queixando da saúde
e querendo se aposentar.
Adulto, não entendia os estranhos;
afoitos, gananciosos,
só viam juntar, juntar e juntar.
Experiente, não entendia essa ânsia de dirigir!
No trânsito, no caos da cidade,
até a gente cansar.
Experiente, Não entendia as mulheres,
cansadas do casamento
e que só queriam zoar!
Experiente, não entendia as crianças;
manhosas e cheias de birra
que os pais não conseguiam educar…
Experiente, não entendia os estranhos:
querendo empregos públicos,
cansados de trabalhar!
Velho, cansado de dirigir,
não vejo a hora de arranjar motorista,
alguém pra me carregar!
Velho, consigo entender as mulheres,
que sobrecarregadas e cansadas,
conseguem levar de vencida
a tocar, cantar e dançar.
Velho, consigo entender as pessoas,
as fases que passam na vida
e seus ideais por lutar.
Velho, consigo entender os estranhos,
seus loucos anseios por lucros,
por reconhecimento, poder
e um pedestal pra ficar.
Velho, finalmente consegui entender
o que Deus quis dizer
quando se deixou crucificar…
[Adhemar - São Paulo, 13/07/2008]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Fernanda — domingo, 17 de agosto de 2008 (13:39:48)
pára tudo!!!!
que texto é esse…desculpa dfalar desse jeito rsrsrs,mas eu amei esse poema.muito interessante os tipos de visões que há nele.
bjs

Comentário por Jéeh — domingo, 17 de agosto de 2008 (16:35:39)
Nossa, eu tbm amei o poema, amei todas as atualizações!!!
Tbm atualizei minha página, kiser conferir eh soh passar por la

Comentário por nbs — domingo, 17 de agosto de 2008 (22:53:07)
simplesmente lindo.
um abraço

Comentário por Jéeh — terça-feira, 19 de agosto de 2008 (00:07:17)
E pra falar a verdade…
Eu concordo com ele, afinal, o que levamos dessa vida?
Então tudo o que vier é lucro, mas é claro, desde que saibamos vive-la de uma maneira saudavel!
Beijos

Comentário por isa — terça-feira, 19 de agosto de 2008 (09:26:35)
Muito bom…
Mas velho… Cade o velho??? rss
Beijokas
Isa

Comentário por LAIZ — terça-feira, 19 de agosto de 2008 (10:23:04)
CREIO QUE NÃO SEJA PRETENSÃO SUA…
OBRIGADA POR SE FAZER PRESENTE!
BEIJOS

Comentário por Érica — terça-feira, 19 de agosto de 2008 (14:54:48)
Sabe, eu gosto muuuuuito dos teus poemas, textos e poesias. Eles sempre me deixam numa sensação de “não pensei nisso” ou então”krak é verdade!” Talvez se eu contar pra alguém pode ser que não acreditem, mas esses posto sempre me ensinam algo e eu curiosa que sou, sempre leio mais de uma vez pra me certificar que eu não perdi nada rsrsr
Aqui vejo um artista que usa as palavras muito bem.
E velho? que velho? rsrsr
Abraços