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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ESQUINAS

Da solidão presente ao desencontro,
à vertigem de altura e isolamento;
pequena sensação no imenso claustro,
desolado amargor, ressentimento.
Inequívoca reunião de um só elemento
bradando na tribuna pra ninguém.
Registrado na figura, amplo momento,
incluindo até mais nada, até também.
E o silêncio barulhento anuncia
o interessante aviso inútil:
ficar atento ao movimento noite-dia
relembrando a importância fútil.
A solidão, posta de canto, ainda impera
na vertente da colina ou do castelo.
A multidão de mais ninguém ainda espera
um desenlace infeliz, trágico e belo.
Num brinde ao desencontro pontual
a multidão do um sozinho vai à guerra;
na conclusão do simpósio-carnaval,
confete preto, alas de luto encerra.
Hoje, amanhã ou bem depois
só há uma saída em tantas portas.
Fotografia no epitáfio, feijão no arroz,
um dístico escrito nas cambotas.
E assim fechado o tempo, pleno o sol,
vai o peregrino andante, vai de carro.
O deprimido solitário vira herói,
levanta a saia, abraça a taça e tira um sarro…

[Adhemar - Santo André, 18/08/2005]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comment by Noemí — Saturday, 13 de September de 2008 (12:46:44)
Como diria uma nossa amiga: simplesmente "instigante" ... gostei bjs Noemí