domingo, 7 de setembro de 2014

NA CALADA DA NOITE

Estou aqui te escrevendo uns versos
e ouvindo um cão vadio revirar a lata de lixo.
Outro ladra mais além.
Dentro do peito, um vago temor vazio
revira a lata de lixo dos meus sentimentos.
Na cabeça, a dor da procura.
No fundo da noite, passa um trem.
Seu ruído vem dentro de mim.
Mais acima esqueço um acento.
Há uma lâmpada que não se apaga
e, enquanto estiver acesa não irei dormir.
Confuso, já não sinto a lâmpada acesa;
contudo, é tua ausência que não me deixa dormir.
Deve haver lua, sem você, não vou ver.
É coisa que se conclua, devido ao uivo dos cães,
mas por minha tristeza também.
A folha vai acabando mas… Meu Deus!
Quanta coisa ainda gostaria de dizer.
Dizer direto em teus ouvidos,
num abraço, sei lá eu.
Quando paro de escrever, começo a sonhar.
Sonhando posso te ver, te abraçar…
O cão se foi, a lâmpada se apagou.
Mas há outros ruídos indistintos,
alguém, por aí, se mexeu.
Aqui paro, mais uma vez pensando em ti.
[Adhemar - São Paulo, fevereiro/1982]
p/ MG

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por simoni — sexta-feira, 22 de agosto de 2008 (08:31:23)
olá amigo…fico feliz que sinta-se bem em meu espaço…seus poemas são muito inspirados e transparentes,amei!
beijo magico