terça-feira, 2 de setembro de 2014

FLAGRANTE

         Enfim, o repouso do caçado. Cessaram os ruídos dos helicópteros, das sirenes, do ladrar dos cães. Despistados os perseguidores? Ele não sabe mas, mesmo assim, toma alento. Um suspiro, um meneio, uma sonolência e um sonho. Um sonho de liberdade, de utopia. Um sonho dentro de um buraco, atrás de uma moita. Um sonho azul como o cenário do vôo de um pássaro, como o sorriso de uma moça e como a água cristalina de um riacho. O ruído de pisadas na vegetação rasteira é o de crianças a brincar de pique-esconde. Mas gotas ácidas de suor fazem arder os olhos; estes abertos, já não sonha mais o perseguido. A dolorosa e fria realidade volta mais forte; o escuro dessa toca representa mais um passo dado para não sei onde. É preciso sair e ir mais longe, onde a busca cesse.
          O fugitivo então se levanta escutando atento; olha pros lados, escolhe um a esmo e sai correndo, antes que suas tantas dúvidas o alcancem.
[Adhemar - São Paulo, 16/12/2004]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por isa — quarta-feira, 28 de maio de 2008 (08:11:50)
É verdade!!!
Esqueci de mencionar esse tipo de encontro:o do homem com a sua busca…sua fragilidade…
E o encanto da vida está nesse “vai e vem” de emoções, situações…
Muito bom te encontrar!!!
Uma beijoka
Isa