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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"HOJES"...

O silêncio se rompe no momento
prestes a iniciar outro momento;
imóvel ou em movimento,
indelével, indubitável movimento.
Quanto mistério, quanto tempo.
Quantas vitórias, quantas glórias, quanto tempo.
Rostos imóveis, olhos fechados e o vento,
momento, movimento, tempo e vento.
Paradas, desfiles, espetáculos.
Cenários, paisagens, quadros.
Palcos, telas, arenas e teatros.
Picadeiros, altares e tablados.
Campos esportivos, pistas de corridas.
Ginásios, academias, habitáculos.
Praças, parques, espaços e contatos.
Atitudes, atividades, pensamentos, vidas.
Empunhar ou juntar as mãos, agradecer a Deus
consentir no saborear comidas,
com dentadas e mordidas;
e saber agradecer aos Santos e aos Céus.
E viver em restaurantes e museus,
estádios, bibliotecas e escolas;
portar mochilas, carteiras e sacolas;
igrejas, mesquitas, sinagogas e templos.
Feijão, arroz, bifes, macarrão.
Presunto, queijo, bolo e pão.
Batatas fritas, tortas e purê;
filés à milanesa, pescadas à dorê.
Se o mundo fosse a fome…
Se a vida fosse o nome…
Se o espírito fosse a fome…
Se a alma fosse o nome…
Se todos fossem cada um…
Se o amor fosse uma liga;
se a união, solidariedade amiga,
fosse de todos e a tristeza de nenhum!
Mas o ontem, o hoje e o amanhã
são só "hojes" mal vistos,
mal vividos, imprevistos
numa febre nada sã.
E a vida nos escapa.
O mato cresce, a noite desce
e o leite forma a nata.
Um dia após o outro.
A memória de cada minuto.
Um ano após o outro.
A alegria de cada minuto.
Um acontecimento após o outro
e a emoção de cada minuto.
Quanto mais rápido o pensamento,
quanto mais abrangente e concreto
é maior o sofrimento;
e o castigo é mais completo.
Se da vida só se espera o desenlace;
se depois vamos dar conta de quais obras;
se na boca lagartos e cobras;
e no pódio troféus e medalhas.
Um balanço, um relatório, um atalho.
A verdade, finalmente, sem máscaras;
olhos nos olhos, face a face.
Depois de tanta vida, nós e Deus.
[Adhemar - São Paulo, 31/12/2003]
Today…
Síntese, resumo do que já foi. Com uma certa projeção do receio da prestação de contas, do que responder se nos perguntarem "o que fizeste dos talentos com que nasceste?"
Adhemar, 06/08/2008.

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por tah — quinta-feira, 7 de agosto de 2008 (12:17:44)
marie kent… como sempre, marie kent…
bjos
obrigada por sempre passar no meu blog