segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ILUSÕES

A fantasia se perdeu em meio à tanta realidade. O palhaço saiu de seu picadeiro e veio ver o mundo aqui fora. E viu os homens cansados, os olhares congestionados, o escuro e o frio. Mas assim mesmo, não desistiu: fiel à sua vocação, perpetrou mais uma palhaçada.
O comandante e suas ordens contraditórias saíram do gabinete. A prepotência e a impulsividade não resistiram e vieram ter em meio aos acontecimentos. Fingindo mandar, observou a fingida obediência; porque a vida segue seu curso indelevelmente, à revelia do comando.
O pedestal perdeu o brilho e a graça. Rei e príncipe, com sua corte, desceram e vieram se misturar aos obreiros do palácio. Vieram mostrar aos pobres súditos a sua altiva realeza. Mas o impávido imprevisto: eles têem sangue e sentem dor.
Já o bobo dessa corte segue ora amos, ora criados; sempre desorientado e seu drama divertindo à todos. A grande pantomima, o cenário: caretas e piruetas, piadas e oferendas. Tudo bem representado e muito mal remunerado. O bobo apenas come as migalhas dos comensais.
Baixa o pano.
[Adhemar - São Paulo, 15/12/2004]
Ambiguidades propositais
Relato autobiográfico de um momento na minha brilhante carreira profissional. Advinhem no papel de quem…
Adhemar, 11/08/2008.

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Laiz Mara — terça-feira, 12 de agosto de 2008 (08:35:25)
Saudações!
Beijão!