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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

LINHA E PONTO

          Vai chegando ao fim mais um período. Traduzindo: no caderno de rascunho restam poucas folhas. Toda vez que um caderno acaba, abre-se um novo. Toda vez que abre-se um novo, mudam os temas. Não é proposital; mas o subconsciente talvez procure algo mais digno para ser registrado. As mãos se esforçam para melhorar a caligrafia, tão castigada no final do caderno anterior. A mente procura novas formas de dizer as coisas, novos sentidos, novos assuntos.
          O próprio novo caderno, indagador em suas brancas folhas, parece esperar ansioso o que vai carregar. Ansioso e severo, posto que deve ter absorvido atentamente as queixas do caderno mais velho.
          Outrossim, quando acaba a tinta da caneta, uma nova ordem se impõe. O próprio texto, interrompido e truncado com suas letras esmaecidas, assume um novo sentido - uma nova cor, por assim dizer - partindo do trecho mal escrito e quase transparente que o antecedeu.
          Nessa caminhada difícil e complicada da falta de folhas ou de tinta, a sublime inspiração se evapora, incorpora-se no ar e some no vento. Ficam as palavras órfãs de compromisso, significado e entendimento.
[Adhemar, Sâo Paulo, 31/07/2004]
Epílogo…
Toda vez que vai acabar um caderno de rascunho, surge um texto deste tipo; e esse caderno referido no início, nem estava tão no final assim. E não é que acabou mesmo a tinta da caneta? Se "a ocasião faz o ladrão" não há dúvida que de oportunidade e observação vivem os textos, isto é, os escritores…
Adhemar, 28/06/2008.

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