quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MAGMA

Há tantas coisas a dizer borbulhando dentro da gente… Como um vulcão ativo, as palavras fervem em alta pressão; e o tempo que levam do recôndito interior onde se fundem e derretem é a própria reflexão que, se não esfriar, terminará por explodir.
Represando tantos sentimentos e sensações, selando tantas emoções contidas pela tampa da imensa cratera no cimo do monte causamos uma enorme força potencial de auto-destruição. Ou somos estruturados para segurar lá dentro essa violenta convulsão ou a boca se abrirá de repente, sem aviso prévio, numa terrível torrente de lava, fumaça e pedras expelidas raivosamente para atingir o que estiver num raio próximo.
A força dessa manifestação vai mudar a natureza na sua circunscrição. Pode ser que renove o que destruir, pode ser que fortaleça o que matar; e pode ser que renasça nesse interior ora vazio pela expulsão de seus conflitos mais profundos, abrindo novos canais de compreensão para acomodação de posturas, atitudes e ideais. Até que a primeira contrariedade ponha tudo a ferver outra vez.

[Adhemar - São Paulo, 21/05/2006]

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